ESTREIA-Johnny Depp vive cientista em "Transcendence - A Revolução"

quarta-feira, 18 de junho de 2014 16:35 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Resumir o que aconteceu nos milhares de anos em que a humanidade ocupa a Terra em apenas alguns anos de aulas de História é uma tarefa complicada e há sempre alguns assuntos que passam despercebidos em meio a tanta matéria.

Um deles é o luddismo, movimento ocorrido na segunda década do século 19 marcado por revoltas de trabalhadores ingleses insatisfeitos com a introdução das máquinas que substituíram seus serviços em tecelagens e que, capitaneados por um homem conhecido como “Ned Ludd”, passaram a quebrá-las em protesto.

O temor que o progresso da tecnologia despertava duzentos anos atrás, aliás, não difere muito da tecnofobia atual, reavivada desde os avanços na ciência, e na informática em especial, nas últimas décadas. E, se os ecos desses movimentos não ocupam tanto espaço no ambiente escolar atual, em compensação, tem lugar garantido em Hollywood.

O novo exemplar deste tipo é a ficção científica “Transcendence – A Revolução” (2014), primeira direção de Wally Pfister, diretor de fotografia dos filmes de Christopher Nolan – produtor executivo desta produção –, desde “Amnésia” (2000), e que chegou a ganhar um Oscar pelo seu trabalho em “A Origem” (2010).

Novamente, a inteligência artificial – agora associada à nanotecnologia – serve de mote para o debate sobre tecnologia e seus limites, além do perigo advindo daquele, ou daquilo, a quem foi dado poder irrestrito.

O início do filme ocorre num futuro apocalíptico não- identificado, em que a energia elétrica é escassa e teclados de computadores são usados como pesos de porta. Max Waters (Paul Bettany), então, introduz a história sobre o que ocorreu, cinco anos antes, com um casal amigo dele, também cientistas, e que teria ocasionado situação.

Will Caster, interpretado por Johnny Depp, é uma espécie de rock star da ciência, por causa da sua avançada pesquisa na área de inteligência artificial, na qual desenvolve, junto com a sua mulher, Evelyn (Rebecca Hall), uma máquina autoconsciente chamada PINN.

Após uma apresentação em um congresso, em que foi questionado se não queria criar “um novo Deus”, Will é baleado em um dos ataques orquestrados, naquele mesmo dia, por um grupo revolucionário-terrorista antitecnologia, liderado por Bree (Kate Mara), uma “Ned Ludd dos novos tempos”.

Mesmo recuperado do tiro, o cientista não escapa aos efeitos do veneno posto na bala que o atingiu, dando-lhe apenas poucas semanas de vida. É o suficiente para que sua mulher e seu amigo tentem colocar a sua consciência em um computador, tendo a PINN como base. Por aí se desenrola a trama de “Transcendence...”.   Continuação...