ESTREIA-Gyllenhaal protagoniza "O Homem Duplicado", baseado em livro de Saramago

quarta-feira, 18 de junho de 2014 19:59 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Um plano geral de um horizonte não muito definido de Toronto. Um telefonema de uma mãe preocupada, enquanto o filho está pensativo dentro de um carro estacionado. Uma mulher grávida seminua espera sentada em uma cama. Uma frase enigmática. Um homem adentra uma sala, algo como uma boate de luxo secreta, em que outros “machos” observam as performances sensuais femininas e as tarântulas.

Assim é o início caótico de “O Homem Duplicado” (2013), livre adaptação cinematográfica, porém, não menos respeitosa, do livro homônimo de José Saramago, realizada por Denis Villeneuve.

Do mesmo modo que o autor português logo avisou que sua obra literária não era uma ficção científica, o cineasta do Canadá apresenta ao espectador seu thriller essencialmente psicológico, mas como algo bem longe do comum.

O diretor, que ganhou reconhecimento após “Incêndios” (2010), indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e o hollywoodiano “Os Suspeitos” (2013), exercita uma construção fílmica mais baseada em simbologias do que em grandes ações propriamente ditas, nesta coprodução hispano-canadense.

Permanece a história do entediado professor de História que um dia vê um tipo igual a ele em um filme e se lança a uma investigação desenfreada sobre o ator de terceira categoria, desencadeando uma série de mudanças nas vidas deles.

No entanto, há muitas mudanças em relação ao material original. Algumas alterações eram necessárias, a exemplo da tradução de nomes do português para o inglês, pois não havia como o docente permanecer como “Tertuliano Máximo Afonso” em pleno Canadá.

Na tela, ele se chama Adam Bell e seu duplo, o intérprete Anthony Claire, tem como pseudônimo de trabalho Daniel Saint-Claire (ambos vividos por Jake Gyllenhaal), junto à namorada do primeiro, Mary (Mélanie Laurent), e à esposa do segundo, Helen (Sarah Gadon).

Também era preciso adaptar-se aos novos tempos, já que, no livro de 2002, um procura o outro assistindo várias fitas VHS que, mais de dez anos depois no cinema, dão lugar ao DVD, ao notebook e à busca no Google.

Contudo, além de outros ajustes, o roteiro do espanhol Javier Gullón, de “El Rey de la Montaña” (2007) e “Invasor” (2012), introduz novos elementos de caráter referencial ou simbólico na teia do filme.   Continuação...