ESTREIA-Diversidade da floresta ganha destaque na coprodução franco-brasileira "Amazônia"

quarta-feira, 25 de junho de 2014 16:10 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A floresta é a grande protagonista de “Amazônia”, coprodução franco-brasileira, com orçamento de R$ 26 milhões, que chega ao circuito comercial brasileiro. Embora o papel principal do filme de Thierry Ragobert seja do simpático macaco Castanha (dublado por Lúcio Mauro Filho), a exuberância da diversidade natural da floresta amazônica é o que, inevitavelmente, chama mais atenção no longa.

Foi o produtor francês Stéphane Millière quem teve a ideia de usar a história deste pequeno primata que se perde na mata, após a queda do avião que o levava para o circo em plena Amazônia.

Nas mãos do documentarista compatriota – Ragobert dirigiu documentários para a TV e para o cinema, como “O Planeta Branco” (2006) –, a obra ganhou um retrato realista do cotidiano da floresta e de seus animais, já que somente o acidente da aeronave exigiu o uso de animação e efeitos especiais.

Com o roteiro escrito a dez mãos, incluindo as do brasileiro Luiz Bolognesi, o protagonista adquiriu uma personalidade mais tupiniquim ao mostrar Castanha, um símio doméstico criado por uma menina no Rio de Janeiro, tendo de sobreviver em um ambiente selvagem depois do desastre.

Apresentado sem nenhum diálogo, só com as belas imagens da trajetória do macaquinho e a música de Bruno Coulais, “Amazônia” abriu o Festival do Rio do ano passado, além de ganhar o prêmio da WWF no Festival de Veneza de 2013.

Essa versão foi lançada comercialmente na França, mas, na Itália e na Alemanha a produção ganhou uma dublagem de acordo com as características do público local. O mesmo ocorre no Brasil, onde o corte mais contemplativo foi preterido em favor da inclusão da narração do Castanha, com a voz de Lúcio Mauro Filho, e alguns diálogos entre ele e outros animais.

Segundo os produtores brasileiros Fabiano e Caio Gullane, o objetivo é destacar a característica do longa como um filme para toda a família. É uma decisão que acaba tirando certo brilho da obra, que fez sucesso nos festivais justamente pela capacidade de se fazer entender, sem a necessidade de dar voz aos animais.

Outra questão é que os diálogos criados por José Roberto Torero, apesar das referências a filmes hollywoodianos e de conferir ainda mais simpatia ao protagonista, carregam um tom extremamente infantil, restringindo seu público-alvo.

De acordo com os próprios produtores, as crianças de 5 a 10 anos, seus pais e avós são aqueles que devem estar nas poltronas do cinema assistindo a esta aventura – quase uma mistura de NatGeo e Globo Repórter com Discovery Kids e “Rio 2” (2014).   Continuação...