Premiê britânico sofre pressão de opositores e juiz por escândalo de escutas

quarta-feira, 25 de junho de 2014 19:31 BRT
 

Por Andrew Osborn e Kylie MacLellan

LONDRES (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi alvo de críticas ferozes tanto do Parlamento quanto de um juiz veterano nesta quarta-feira, depois que um tribunal condenou o seu ex-diretor de comunicação por ser parte de uma conspiração de escuta telefônica.

Parlamentares da oposição exigiram que Cameron explique por que ignorou os alertas ao contratar Andy Coulson, e o juiz que presidiu o julgamento do escândalo o criticou por comentar publicamente sobre o caso antes de o júri pronunciar todos os seus veredictos.

Coulson, que cuidou das comunicações de Cameron entre 2007 e 2011, pode ir para a prisão depois que o júri reunido em um tribunal de Londres o condenou na terça-feira pelas acusações de grampeamento de telefones.

A condenação pelos delitos cometidos quando Coulson ainda era um editor de jornal forçou o premiê a fazer um pedido de desculpas abjeto na terça-feira por tê-lo contratado, embora o júri ainda esteja analisando veredictos para outras duas acusações.

Pouco menos de um ano antes de uma eleição nacional, o oposicionista Partido Trabalhista está tentando usar o caso para argumentar que Cameron, líder do governista Partido Conservador, carece de bom senso e não ouve conselhos.

A legenda rival criticou Cameron por contratar e manter Coulson, embora ele já tivesse se demitido do tabloide News of the World quando dois dos seus funcionários foram presos pelo escândalo. Sua atividade envolveu a escuta de correios de voz de telefones de celebridades, políticos e vítimas de crimes em busca de furos jornalísticos.

Os trabalhistas sustentam que Cameron queria Coulson para obter favores do magnata da mídia Rupert Murdoch e de seus veículos de informação na Grã-Bretanha, entre eles o agora extinto News of the World.

“Hoje sabemos que durante quatro anos o conselheiro mais próximo, e escolhido a dedo, do primeiro-ministro era um criminoso e que desgraçou Downing Street (local de trabalho e residência do premiê). Também sabemos agora que o primeiro-ministro ignorou conscientemente os múltiplos alertas a seu respeito”, afirmou o líder dos trabalhistas, Ed Miliband.