Sérvios dedicam estátua a "herói" que deflagrou Primeira Guerra Mundial

sexta-feira, 27 de junho de 2014 19:17 BRT
 

Por Daria Sito-Sucic

SARAJEVO (Reuters) - Os servo-bósnios inauguraram nesta sexta-feira uma estátua do homem que matou o herdeiro do trono dos Habsburgo um século atrás, dando de ombros às comemorações oficiais da Bósnia do ato que deflagrou a Primeira Guerra Mundial.

O monumento de bronze de dois metros de Gavrilo Princip, inaugurado pelo membro sérvio da Presidência tripartite da Bósnia, destaca a divisão entre os servo-bósnios, bósnio-croatas e bósnio-muçulmanos em relação à sua visão do assassinato que funcionou como estopim da guerra.

O centenário acontece no sábado e será celebrado oficialmente em Sarajevo por um concerto da Filarmônica de Viena que líderes da Sérvia e servo-bósnios irão boicotar.

Os sérvios veem o assassino servo-bósnios de 19 anos como herói da libertação de todos os eslavos de séculos de ocupação imperial nos Bálcãs. Para outros, foi um terrorista nacionalista cujo disparo desencadeou quatro anos de matança e sofrimento em que mais de 10 milhões de soldados morreram e impérios desabaram.

As comemorações do centenário serão até certo ponto eclipsadas pelas feridas de uma guerra mais recente, quando cem mil pessoas, a maioria bósnio-muçulmanos, foram assassinadas entre 1992 e 1995 enquanto a Iugoslávia se desintegrava.

“Estes combatentes da liberdade de cem anos atrás nos deram um rumo para seguir para os cem anos seguintes”, disse Nebojsa Radmanovic, o servo-bósnio que compartilha a Presidência com um bósnio-croata e um bósnio-muçulmano, ao revelar a estátua no leste de Sarajevo, uma região sob controle dos servo-bósnios.

Cerca de mil pessoas, incluindo crianças, assistiram enquanto um jovem, fazendo o papel de Princip, brandia uma arma e silenciava uma valsa do compositor austríaco Johann Strauss.

“Quem quer viver deve morrer, quem quer morrer deve viver!”, gritou eles, antes do início de uma dança folclórica sérvia.   Continuação...

 
Inauguração de estátua em homenagem a Gavrilo Princip, no leste de Sarajevo, na Bósnia, nesta sexta-feira. 27/06/2014 REUTERS/Dado Ruvic