ESTREIA-Drama “O Céu é de Verdade” adapta best-seller religioso

quarta-feira, 2 de julho de 2014 18:59 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os números comprovam: o mercado gospel é um dos que mais crescem em todo mundo. De olho neste filão, chega às telas “O Céu é de Verdade” (2014), produção com elenco e equipe técnica renomados em Hollywood e estrutura narrativa dos modestos filmes cristãos.

O longa de Randall Wallace –roteirista de “Coração Valente” (1995) e diretor de “O Homem da Máscara de Ferro” (1998)– baseia-se no relato do garoto norte-americano Colton Burpo, que disse ter ido ao céu após uma experiência de quase-morte aos quatro anos de idade.

Transformada em livro pelo seu pai, o pastor Todd Burpo, e Lynn Vincent, a ghost-writer da política conservadora Sarah Palin, a história do menino virou best-seller, com mais de dez milhões de exemplares vendidos.

A obra cinematográfica começa com uma menina lituana pintando algo –cuja relação com a trama dos Burpos, nos EUA, somente é revelada no final– em um sótão escuro, onde um raio de luz invade o ambiente através de um buraco no telhado, ao som de uma música tocante e inspiradora.

São os sinais de recursos que serão utilizados constantemente no decorrer do filme: a trilha sonora incessante, desnecessária em muitos momentos, e uma fotografia que não só usa os feixes de luz como símbolo de divindade, como destaca o céu em suas composições de enquadramento.

Isso porque o fotógrafo Dean Semler, que ganhou o Oscar com “Dança com Lobos” (1990), junto com o diretor, tenta transformar a cidade de Imperial, no Nebraska –que, na realidade, é a canadense Manitoba, que serviu de locação para a produção–, em um Paraíso na Terra, com planos gerais dos campos locais e seus horizontes.

É lá que vive Todd (Greg Kinnear), que além de pastor da Crossroads Wesleyan Church, é bombeiro voluntário do lugarejo, treinador de luta livre na escola local e instalador de portas de garagem.

Assim é apresentado o bom caráter do protagonista, que se desdobra, mesmo tendo várias contas a pagar, situação agravada quando fica impossibilitado de trabalhar ao quebrar a perna jogando softbol e sofrer com uma crise de pedras renais.

No entanto, fora as amostras desse esforço no início e uns boletos jogados na mesa, não parece que ele está realmente passando pelas graves dificuldades financeiras de que fala com sua esposa, Sonja (Kelly Reilly), já que consegue até fazer uma viagem com a família de mais de 300 quilômetros para Denver, com a intenção de espairecer.   Continuação...