ESTREIA–Experiência sobrenatural é o eixo do terror “A Marca do Medo”

quarta-feira, 9 de julho de 2014 17:19 BRT
 

SÃO PAULO, 9 Jul (Reuters) - Em 1972, pesquisadores canadenses da Sociedade de Pesquisas Físicas de Toronto se empenharam em um experimento para criar um fantasma, ao qual chamaram de “Philip”. A pesquisa, guiada por Iris May Owen e seu marido especialista em parapsicologia, o dr. Alan Robert George Owen, foi realizada com um grupo de oito pessoas das mais diversas profissões e sem nenhum “poder paranormal”.

Isso porque a intenção deles não era invocar alguma entidade, pois a ideia do experimento apropriava-se do conceito budista tibetano de tulpas, seres criados a partir da idealização individual ou coletiva, através do pensamento, da meditação e de outros métodos.

Assim, o grupo criou Philip, dando-lhe nome completo, uma biografia inteira, um rosto em desenho, mas a entidade não ganhava vida.

Somente após um ano, com a mudança do método de pesquisa e o consequente início da realização de sessões, fenômenos poltergeist ocorreram, como a movimentação da mesa em que estavam concentrados – que pode ser até assistida em vídeos na internet –, e o fantasma teria passado a se manifestar. Mas quando começou a ganhar personalidade própria, Philip teria sido lembrado por um dos participantes do experimento, que foi criado por eles, fazendo com que a entidade sumisse e nunca mais se manifestasse.

Não é surpresa que um caso tão curioso como esse ganhe uma adaptação cinematográfica: “A Marca do Medo” (2014), de John Pogue. Mas, diferente do recente e celebrado “Invocação do Mal” (2013), que reconta um episódio verídico da mesma década, este terror anunciado como “baseado em fatos reais” despreza a história original em favor de uma trama mais repleta de clichês do gênero.

O roteiro, escrito primeiramente por Tom de Ville e revisado por Craig Rosemberg, Oren Moverman e o próprio Pogue, cria um novo experimento, ambientado em outro lugar e com diferentes implicações.

Aqui, o professor de Oxford, Joseph Coupland (Jared Harris), além de ministrar aulas na famosa universidade inglesa, coordena uma pesquisa não-ortodoxa para provar que eventos e entidades sobrenaturais seriam apenas manifestações psicológicas das próprias pessoas que são ditas como “possuídas”.

Ele e seus alunos, Harry Abrams (Rory Fleck-Byrne) e a sua provocante namorada Krissi Dalton (Erin Richards), usam como objeto de sua experiência a atormentada Jane Harper (Olivia Cooke), uma garota que ficou órfã muito nova e passou pelas casas de diversas famílias que logo desistiam de cuidar da estranha menina para se livrar dos poltergeists que a acompanhavam.

O docente, então, convida um assistente do setor audiovisual da faculdade, o jovem Brian McNeil (Sam Claflin), para documentar todos os passos da investigação.   Continuação...