ESTREIA-“Amar, Beber e Cantar”, último filme de Alain Resnais, celebra a vida

quarta-feira, 23 de julho de 2014 13:56 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - “Amar, Beber e Cantar”, último filme do cineasta Alain Resnais, morto em março passado, parece dar sequência ao projeto de cinema que ele adotou nos últimos anos –um realismo que rompe com a realidade, uma fantasia do cotidiano, brincando não apenas com o conteúdo, mas especialmente com a forma.

Mais conhecido por seus trabalhos bastante densos, como “Hiroshima, Meu Amor” e “O Ano Passado em Marienbad”, nos últimos anos o diretor começou a fazer filmes mais leves e despojados, o que não se deve confundir com superficiais. Apenas parece que, com a idade, Resnais se tornara mais juvenil.

Pela terceira vez, o cineasta adapta uma peça do inglês Alan Ayckbourn (as outras duas são “Smoking/No Smoking” e “Medos Privados em Lugares Públicos”), e ao manter a estrutura teatral, busca outras formas de a retratar no cinema.

Um outro detalhe: os personagens ensaiam a montagem amadora de uma peça, que trata-se de “Relatively Speaking”, uma outra obra de sucesso do dramaturgo. Nesse filme, porém, o diferencial está especialmente nos cenários, minimalistas, nos quais paredes são substituídas por papéis.

O diretor também trabalha com o jogo de cena; a encenação que nos é sempre lembrada pela cenografia nada realista. No Festival de Berlim, em fevereiro passado, o diretor e seu longa receberam o prêmio da crítica internacional e o Alfred Bauer, outorgado a filmes que “abrem novas perspectivas para a arte cinematográfica”.

“Amar, Beber e Cantar” é sobre uma peça dentro do filme -ensaiada por um grupo de amigos– mas também sobre um tal de George Riley (sobre quem ouvimos muito, mas a quem nunca vemos). Ele está doente e tem no máximo 6 meses de vida.

O filme começa com o médico Colin (Hippolyte Girardot) deixando a notícia escapar para sua mulher, a espevitada Kathryn (Sabine Azéma), enquanto se preparam para ir ao ensaio da peça, na qual vão atuar sob a direção de Peggy Parker (outra personagem muito mencionada e nunca vista).

A notícia logo se espalha, e o casal Tamara (Caroline Sihol) e Jack (Michel Vuillermoz) – avisados por Kathryn – se desespera com a iminente morte do amigo, passando a demonizar Monica (Sandrine Kiberlain), ex-mulher de George, que agora vive com Simeon (André Dussollier).

A trama transita entre lembranças do grupo de personagens sobre George, planos para o futuro (com ou sem ele) e o pré e pós-ensaio da peça na qual alguma dessas pessoas atuarão.   Continuação...

 
Diretor Alain Resnais é aplaudido no Festival de Cannes, em 2012. 21/5/ 2012.          REUTERS/Yves Herman