ESTREIA-"The Rover - A Caçada" retrata perseguição num mundo pós-apocalíptico

quarta-feira, 6 de agosto de 2014 16:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em seu segundo longa, “The Rover – A Caçada”, o australiano David Michôd mostra que a força de seu filme de estreia, “Reino Animal” (no Brasil lançado direto em DVD), não foi acidental.

Aqui, ele retrata um futuro distópico, não muito distante do nosso presente, num lugar devastado depois de um colapso econômico que nunca é explicado. Apesar das condições precárias e o calor infernal, é possível sobreviver: há alguns alimentos, combustível e dinheiro, embora o dólar americano seja preferido ao australiano.

Os sobreviventes estão em luta constante, sempre sujos e desesperados. Ainda há militares, que cuidam também da burocracia governamental. Nesse cenário inóspito, o carro de Eric (Guy Pearce) é roubado, dando início a uma perseguição.

Como os ladrões abandonam seu próprio carro, que está funcionando perfeitamente, é de se indagar porque o protagonista não se contenta em ficar com esse veículo, em vez de insistir em recuperar seu carro roubado.

Na estrada, Eric acaba encontrando Rey (Robert Pattinson), um sujeito com limitações intelectuais e irmão de um dos ladrões. Poucas pistas são dadas sobre essa dupla. O rapaz pode ser mais esperto do que parece e se sente traído pelo irmão que o abandonou para trás, ferido.

Quanto a Eric, o que o faz mover nessa busca desesperada? Porque, às vezes, é tão cruel, e, em outros momentos, uma pessoa emotiva? É nessas pontas soltas que “The Rover – A Caçada” constrói numa atmosfera de suspense constante. Pelo caminho, a dupla cruza com diversas ameaças e poucas personagens femininas.

Michôd revela pouco, elaborando a narrativa sobre minimalismos. Não que esteja escondendo algo, apenas parece estar tentando compreender esse futuro aos poucos – como os próprios espectadores do filme.

Cenários pós-apocalípticos como esse já forneceram a ambientação em produções como a trilogia “Mad Max” e no recente “A Estrada” - e, no fundo, são uma releitura de nosso presente.

Seria esse ambiente devastado de “The Rover” resultado de alguma crise econômica global? Ou climática? Afinal, a natureza parece estar desequilibrada no filme. O diretor evita explicações, porque, afinal, não importam muito as causas, mas a forma como seus personagens lidam com essa ruptura: e eles o fazem de forma desesperada.   Continuação...