6 de Agosto de 2014 / às 19:30 / 3 anos atrás

ESTREIA-Leandro Hassun repete personagem na comédia “Vestido pra Casar”

SÃO PAULO (Reuters) - A tradição da comédia no cinema nacional é antiga, assim como sua aceitação pelo público. Mais recentemente, a fórmula parece ser a seguinte: utilizar um humor de apelo mais visual, multiplicado por velhos estereótipos, somando-se a isso a linguagem, a estética e um elenco televisivo, especialmente se as estrelas forem “globais” – uma nova variação do algoritmo inclui a adição de algum comediante que está “bombando” no teatro ou na Internet.

É o que acontece com “Vestido Pra Casar” (2014). O longa de Gerson Sanginitto reúne todos esses elementos tidos como fundamentais, desde os roteiristas do “Zorra Total”, Claudio Torres Gonzaga e Celso Taddei, até o elenco com nomes consagrados, como Tonico Pereira.

Também há nomes em alta no momento, como o casal do canal Porta dos Fundos, Marcos Veras e Júlia Rabello, além do atual queridinho das comédias nacionais, Leandro Hassum, que levou mais de três milhões de espectadores para os cinemas em cada filme da franquia “Até que a Sorte nos Separe” (2012 e 2013). No entanto, a mistura supostamente perfeita não dá liga e o resultado é insatisfatório.

Desde o princípio, fica claro que se trata de uma comédia de erros. Porém, as falhas da produção são mais perceptíveis do que aquelas dos personagens que deveriam levar o público às gargalhadas. A trama apresenta situações tão mirabolantes que forçam demais a boa vontade do espectador em relevar incongruências e não exigir tanta verossimilhança.

Fernando (Leandro Hassum) está prestes a se casar com Nara (Fernanda Rodrigues), mas a sua compulsão por mentiras o coloca em uma avalanche de situações inusitadas a partir do momento em que vai buscar a noiva no aeroporto.

Após uma discussão com Valentina (Renata Dominguez), uma ex-miss e ex-BBB, e seu amante Ceição (Marcos Veras), que resulta em um vestido rasgado, o protagonista parte em uma busca da outra peça do modelo quase exclusivo do estilista Jean Luc (Érico Brás), a fim de conseguir manter os planos de casamento.

Para isso, ele tem de procurar a ajuda de sua ex-mulher Letícia (Júlia Rabello) e contornar a companhia da família de Narinha – o exigente Eraldo (André Mattos), pai da moça, o estranho tio Belisário (Tonico Pereira) e o afetuoso primo dela, Pompilho (George Sauma).

Além das incoerências do roteiro em termos de ação, o texto também não é inspirado no que diz respeito às piadas. Mais do que apelar a estereótipos, muitas vezes preconceituosos, o principal problema é a repetição das gags, que praticamente se transformam em bordão de esquete de programa de humor semanal. Mogi Mirim, por exemplo, nunca foi tão citada em um filme.

Gerson Sanginitto, que já fez alguns curtas e longas com sua produtora nos Estados Unidos, mas tem como principal trabalho aqui “Área Q” (2012) – que tem toques de ficção científica e espiritualismo –, conta com a codireção Paulo Aragão, filho do humorista Renato Aragão que dirigiu vários filmes e minisséries do pai.

Contudo, nem um nem outro são capazes de tirar graça da frouxa história que têm em mãos. Mais que isso, fazem opções estranhas, a exemplo da utilização de “slow motion” na hora de um choro, que fica totalmente alheio à linguagem usada até então e torna a cena ainda mais forçada.

Por momentos como esse, é possível compreender porque alguns atores parecem tão constrangidos em cena. Enquanto Hassum repete o mesmo tipo que criou nos seus últimos trabalhos, Júlia é, possivelmente, um dos poucos nomes do casting que consegue lidar melhor com o texto tão fraco e criar uma personagem um pouco mais crível.

Com todos esses problemas, ainda sim, é provável que a produção obtenha um público satisfatório, pois o apelo do elenco é forte. Mas “Vestido Pra Casar” – que fora o tema “casamento” como pano de fundo nada tem a ver com a comédia romântica norte-americana da qual parafraseia o título em português, “Vestida Para Casar” (2008) – pode não alçar o mesmo sucesso das comédias nacionais mais recentes, não porque é mais do mesmo, e sim por negligenciar o principal: fazer rir.

(Por Nayara Reynaud, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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