ESTREIA–Mestre da ação Michael Bay recria origens das Tartarugas Ninja

quarta-feira, 13 de agosto de 2014 16:43 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Nas comemorações de 30 anos do lançamento dos quadrinhos “As Tartarugas Ninja”, criados por Kevin Eastman e Peter Laird, ninguém menos que Michael Bay assina a produção que marca a volta dos heróis às telas de cinema, também em versão 3D. Embora não seja o diretor (papel que coube a Jonathan Liebesman, de “Fúria de Titãs”), é inegável a mão do cineasta americano neste filme, que recria as origens do quarteto.

Por isso, é de se esperar o melhor e o pior que o diretor da franquia “Transformers” oferece: excelentes efeitos especiais e cenas de ação, em meio a uma história que carece de substância. E em vez de ir direto à fonte (os quadrinhos), o roteiro traz uma mudança radical na formação dos personagens, com o objetivo de amarrar possíveis sequências.

No original, Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael são quatro tartarugas que, por acidente, são expostas a um material radioativo. Crescem nos esgotos de Nova Yok, criadas por um rato mutante, o Splinter, que ensina a arte marcial ninjutsu e valores morais ao quarteto. Quando se tornam adolescentes, passam a lutar contra o crime, em especial, combater o vilão Destruidor e seu Clã do Pé, formado por ninjas.

Nesta nova versão, os personagens são mantidos, mas os heróis são produto de uma experiência genética promovida por Erick Sachs (William Fichtner) e o Dr. O'Neil (Paul Fitzgerald), cujo objetivo está nos planos do Destruidor (Tohoru Masamune). Após um incidente fatídico no laboratório, tanto o rato como as tartarugas são dados como mortos, mas vão parar nos esgotos, onde se tornam adolescentes e, então, vigilantes na luta contra o Clã do Pé.

Será a jornalista April O’Neil (Megan Fox) que, na busca por um furo, revelará a existência das tartarugas ninja a Erick Sachs, que finalmente poderá dar cabo aos planos do Destruidor. Resta à repórter, então, ajudar os heróis a enfrentar os problemas que causou.

Curiosamente, embora recomece do zero, a produção exige do espectador um conhecimento prévio para entender as motivações das personagens. Quem é o Destruidor? De onde surgiram os ninjas que o acompanham em seu clã? Splinter aprendeu artes marciais apenas lendo livros velhos? O que é “cowabunga”? Nada aqui faz muito sentido para quem nunca ouviu falar dos quadrinhos, das séries de TV ou da trilogia original no cinema (1990–1993).

Apesar da frouxidão da narrativa, abre-se uma boa brecha ao humor, com a participação especial de Will Arnett e Whoopi Goldberg. No caso dos heróis, Michelangelo (Noel Fisher, em captura de movimento) é definitivamente o alívio cômico, com suas constantes piadas sobre April (algumas bem sexuais), sendo o mais carismático dos quatro.

Com sequência confirmada para 2016, é de se esperar que a nova produção preencha as lacunas da história contada aqui. Por mais fantástico que seja este universo, há uma lógica narrativa que parece ter sido esquecida no roteiro de Josh Appelbaum, André Nemec (ambos de “Missão: Impossível – Protocolo Fantasma”) e Evan Daugherty (de “Divergente”), aprovado por Michael Bay.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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