ESTREIA-Woody Allen não apresenta seu melhor truque em "Magia ao Luar"

quarta-feira, 27 de agosto de 2014 16:29 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O segredo de uma boa mágica consiste em ludibriar os olhos do espectador. Neste sentido, o trabalho do ilusionista é bem semelhante ao do cineasta, que também deve iludir o seu público ao ponto de fazê-lo acreditar, mesmo que seja somente naqueles instantes, no que está vendo na tela.

Woody Allen é, sem dúvida, um dos grandes “mágicos” da área ao tornar tanto uma coisa simples quanto um caso absurdo em algo verdadeiro quando transposto em seus filmes. No entanto, nem toda plateia se deixará “ser enganada” em seu último truque, “Magia ao Luar”.

O mais novo longa da fase europeia do diretor centra-se na tentativa de desmascarar Sophie Baker (Emma Stone), uma médium norte-americana cujos dons anunciados têm impressionado uma rica família, também dos Estados Unidos, hospedada no sul da França, que deseja financiar um projeto dela de estudos sobre o oculto.

O encarregado desta missão é Stanley Crawford (Colin Firth), um inglês que roda o mundo se apresentando como o famoso ilusionista chinês Wei Ling Soo – uma referência ao norte-americano William Ellsworth Robinson, que se apresentava como o mágico chinês Chung Ling Soo, no século 19 – e é um especialista em descobrir os truques usados por falsos místicos e outros tipos de charlatões.

Convidado pelo seu amigo de infância e colega de ofício, Howard Burkan (Simon McBurney), para desvendar o mistério sobre a garota que se comunica com o falecido marido da Sra. Catlegde (Jacki Weaver) e faz o caçula da família, Brice (Hamish Linklater), cair de amores por ela – com direito a constrangedoras serenatas de ukelele –, ele deixa sua turnê em Berlim e parte para a charmosa Cote d’Azur de 1928.

Hospedado na casa de sua querida tia Vanessa (Eileen Atkins), Stanley espera uma vigarista ao encontrar com Sophie e sua mãe (Marcia Gay Harden), mas tão logo a bela moça revela detalhes da vida dele que lhe pareciam secretos, o cético, como em um passe de mágica, começa a duvidar de seus próprios conceitos.

O fato do protagonista acreditar tão rápido na ocultista pode ser relevado se for levado em conta que o recente trabalho do diretor tem um tom de homenagem às comédias românticas clássicas. Por isso, tamanha inocência e leveza que levam ao escasso desenvolvimento dos conflitos da trama.

Aliás, a reconstituição de época do filme é destaque, sendo realizada cuidadosamente pela direção de arte de Anne Seibel, pelo figurino de Sonia Grande e pela trilha sonora, que conta com nomes como Cole Porter, além de muito jazz e músicas de cabaré, a la Charleston.

Tudo isso completa a excelente fotografia em 35mm de Darius Khondji, cuja câmera desliza pelas belas paisagens do sul da França sob a luz do Sol, ressaltando o azul do mar de Cote d’Azur e as cores das plantas e ervas da Provence.   Continuação...

 
O cineasta Woody Allen chega para a pré-estreia de seu filme "Magia ao Luar", em Nova York, nos Estados Unidos, em julho. 17/07/2014 REUTERS/Lucas Jackson