10 de Setembro de 2014 / às 00:37 / 3 anos atrás

Sopro de humor marca estreia de Jon Stewart no drama "Rosewater"

TORONTO (Reuters) - A verdadeira história de um jornalista acusado pelo Irã de ser um espião ocidental, jogado em uma solitária e torturado por meses não pareceria convidar ao humor ou à dança.

Mas o jornalista Maziar Bahari tem um gosto acentuado pelo absurdo, e ao trazer sua história angustiante para a grande tela em “Rosewater”, ele encontrou um diretor e ator que soube aproveitar a comédia dentro da tragédia.

O diretor e roteirista é Jon Stewart, um dos maiores nomes da comédia americana como apresentador do programa noturno de sátira na TV “The Daily Show”. “Rosewater”, sua estréia como diretor, foi exibida no Festival de Cinema de Toronto na segunda-feira.

Bahari é interpretado por Gael Garcia Bernal, o ator mexicano que já trabalhou com diretores renomados como Alfonso Cuaron e Pedro Almodovar.

“Maziar é quem tem esse humor cáustico, e de uma forma muito bonita, esse humor foi o que o fez sobreviver a isso”, disse Garcia Bernal à Reuters.

Muito do humor vem no final do filme, quando a situação é mais terrível para o jornalista nascido no Teerã que vive em Londres e foi para o Irã para cobrir as eleições de 2009, deixando sua esposa grávida em casa.

Bahari foi preso pela polícia da Guarda Revolucionária após transmitir os tumultos de rua para a BBC e passou 118 dias em confinamento solitário na prisão. Seu interrogador, conhecido como Rosewater (água de rosas), interpretado por Kim Bodnia, exalava aquele cheiro doce mas estava determinado a quebrar Bahari física e emocionalmente até o ponto em que ele confessa ser um espião.

Mas Bahari aprendeu a provocar astuciosamente Rosewater -- com uma história inventada sobre seu amor por “massagem” com várias mulheres, ou com uma repetição sobre por qual motivo ele visitaria o estado de Nova Jersey. Quando Rosewater o questiona sobre o que ele sabe sobre seus amigos do Facebook, Bahari dificilmente poderia imaginar a estupidez do interrogatório.

 

“RINDO POR DENTRO”

 

“Ele estava rindo por dentro, porque ele estava tipo, ‘Isso é ridículo’”, disse Garcia Bernal.

Bahari também ri de suas conversas dentro de sua cela com as aparições de seus falecidos pai e irmã, ambos presos por autoridades iranianas em décadas passadas.

Apesar de sua falta de experiência na direção, a veia cômica de Stewart parece vir a calhar na forma dos diálogos espirituosos e na interação lúdica entre oprimidos e opressores.

Uma crítica positiva da BBC ressaltou que “Stewart trabalha com espantosa confiança e habilidade, ele é um contador de histórias nato com um dom para esculpir o drama nas menores ações.”

Para Stewart, trazer o humor de Bahari à tona foi a maneira de mostrá-lo buscando sua humanidade em meio a um regime repressivo. Ele disse à plateia de Toronto que o humor e a dança são “as duas expressões mais simplistas e profundas da humanidade.”

A dança em questão é a repreensão poética de Bahari. Sozinho em sua cela, ele roda e pula livremente ao som de uma música de Leonard Cohen tocada em sua cabeça, mostrando uma mensagem nada sutil de sua força aos captores que o assistem em uma tela.

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