ESTREIA–“3 Dias Para Matar” aposta no tom cômico em filme de ação

quarta-feira, 10 de setembro de 2014 15:50 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O que esperar da união do francês Luc Besson, com seus roteiros mirabolantes e estilo peculiar, do diretor norte-americano McG, que usa a violência como trampolim para o humor, e do compatriota Kevin Costner, mais acostumado a papéis épicos do que necessariamente a filmes de ação?

Difícil dar uma resposta exata, porque, especialmente, os dois primeiros são os típicos realizadores que dividem a plateia com os seus trabalhos. Mas, de qualquer modo, era esperado que o trio fosse um chamariz de bilheteria para “3 Dias Para Matar”. No entanto, a produção conseguiu a muito custo se pagar, arrecadando um pouco mais do que seu orçamento.

Anteriormente previsto para estrear no Brasil no início de junho, o longa chega aos cinemas somente nesta quinta, no rastro do recente e bem-sucedido comercialmente “Lucy” (2014), do próprio Besson. A questão é saber se esse sucesso será o suficiente para atrair o público para este outro trabalho, em que a direção de McG não consegue criar uma boa coesão entre tantos elementos que Luc mistura em seu roteiro.

A história traz Ethan Renner (Kevin Costner), um agente da CIA diagnosticado com um grave tumor cerebral, que está à beira da morte. Enquanto tenta se afastar do trabalho e se reaproximar da filha, Zooey (Hailee Steinfeld), e da ex-mulher (Connie Nielsen), ele tem a oportunidade de conseguir uma sobrevida com uma droga experimental, mas só poderá obtê-la se executar os serviços solicitados pela provocante Vivi (Amber Heard).

Curiosamente, o misterioso medicamento parece provocar danos mais devastadores ao protagonista, acentuados nos desfocamentos da fotografia de Thierry Arbogast – parceiro do cineasta francês – e nos efeitos de pós-produção, do que a própria doença, manifestada apenas com as crises de tosse – que é um sintoma que ocorre em alguns casos de gliobastoma, mas não é o único.

Essa não é a única das incongruências do script criado por Besson com Adi Hasak, que chega a introduzir a trama de uma família de imigrantes que ocupa o apartamento de Ethan em Paris. Trata-se de um tema importante, em vista da questão política e social que a situação migratória gera na França. Mas o assunto é diluído no decorrer da película.

Tendo este material em mãos, McG realiza uma direção oscilante, ora sóbria, ora caricata. O início é explosivo, trazendo pura ação, mas os vilões não apresentam força suficiente para antagonizar com o protagonista.

A introdução do novo convívio dele com a filha parece trazer uma nuance mais dramática ao longa. E, por mais que o pretexto da aproximação familiar com a iminência da morte seja batido, a relação de Renner com Zooey merecia um tratamento melhor.

Basta dizer que uma das cenas que mais apela para o lado emocional do público, com o pai finalmente ensinando a garota a andar de bicicleta em uma praça parisiense cheia de turistas, pode levar o espectador ao riso.   Continuação...

 
Ator Kevin Costner, que está no elenco de “3 Dias Para Matar”. 07/09/2014  REUTERS/Fred Thornhill