September 17, 2014 / 2:48 PM / 3 years ago

ENTREVISTA–Ethan Hawke fala das lições que aprendeu com Robin Williams

4 Min, DE LEITURA

Hawke posa para foto em divulgação de seu filme "Seymour: An Introduction" no Festival de Toronto. 10/09/2014Mark Blinch

TORONTO (Reuters) - Faz mais de 25 anos que o então jovem Ethan Hawke subiu na carteira para saudar seu professor, interpretado por Robin Williams, em “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Hoje com 43 anos, Hawke já viveu cerca de 50 personagens, e este ano recebeu sua terceira indicação ao Oscar pelo roteiro adaptado de “Antes da Meia Noite”, em parceria com o diretor Richard Linklater e a atriz Julie Delpy.

Seu projeto "Boyhood", do qual ele e Linklater se ocuparam durante 12 anos, foi elogiado pela crítica, e seu documentário sobre o pianista clássico Seymour Bernstein também foi recebido calorosamente em festivais de cinema recentes.

Hawke conversou com a Reuters sobre "Seymour: An Introduction", seus temas subjacentes sobre arte e inspiração nos mestres e sobre como Williams, que morreu em agosto, o ajudou a encontrar seu “grito bárbaro”.

Pergunta: Quais foram algumas das maiores lições que você recebeu de Seymour?

Resposta: Uma das coisas mais úteis que (professores e mentores) podem fazer por nós é nos ajudar a ver nossos pontos cegos, a ver quando nos iludimos. É muito difícil para nós, como pessoas, ter plena noção de quando estamos nos iludindo – pequenas mentiras que contamos para nós mesmos, ou estamos contando há décadas. E quando você trabalha com alguém que realmente te respeita e quer que você cresça, sente que podem te ajudar a ver o que está te fazendo sofrer.

P: Você acha que a música clássica não é devidamente apreciada?

R: Todas as formas de arte mais elevadas estão sofrendo... é como se estivéssemos literalmente deseducando nossas crianças para se distraírem o tempo todo.

P: Como você se sente em relação à música clássica?

R: Da mesma maneira que me sinto em relação a Shakespeare. É maravilhoso ser instruído a esse respeito? Sim, é. Mas se você encena Shakespeare corretamente, estudantes do segundo grau que nunca ouviram Shakespeare vão amá-lo. Vão rir, ficar comovidos, é lindo, e se você ouve Bach bem tocado, é de parar o coração. Ninguém precisa de instrução para amar aquela música.

P: Você interpretou Todd Anderson em “Sociedade dos Poetas Mortos” ao lado de Robin Williams. Como foi essa experiência?

R: Acho que a tristeza em relação a Robin é ele ter sido esta pessoa que levou tanta alegria ao mundo e descobrir que não fizemos o mesmo por ele.

Quando somos jovens, é mais fácil encontrar mentores e professores, e “Sociedade dos Poetas Mortos” trata disso, de jovens com um grande mentor que lhes diz para ouvir sua própria voz: “Qual será o seu verso?”.

Aconteceu uma coisa entre eu e Robin. É na cena na qual ele escreve no quadro negro “Emito meu grito bárbaro sobre os telhados do mundo”, que é uma citação do (poeta norte-americano) Walt Whitman.

E ele quer que eu emita meu grito bárbaro. É uma cena muito difícil de fazer, e o diretor queria gravá-la em uma tomada. Queria que fosse autêntica, e foi uma das experiências mais maravilhosas da minha vida. E quando terminou, Robin só segurou minha mão e sussurrou “Lembre disso”. Um momento muito, muito bonito para mim, sabe? E busquei avidamente aquele momento outras vezes, o tempo todo.

Meus pensamentos sobre seu falecimento foram extremamente tristes, mas ficou claro para mim em 1988 que ele era uma pessoa que estava sofrendo seriamente, um sofrimento que carregou consigo durante décadas.

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