"Livrai-nos do Mal" se perde em adaptação de livro controverso

quarta-feira, 17 de setembro de 2014 15:50 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A história do sargento Ralph Sarchie requer dos ouvintes convicção religiosa. Depois de testemunhar casos assombrosos durante seu trabalho na polícia de Nova York, em 1992, resolveu que investigaria paralelamente fenômenos paranormais.

Autointitulado demonólogo, descreveu uma década de possessões e exorcismos que viu e ouviu no livro "Beware the Night" (2001), escrito em parceria com a jornalista Lisa Collier Cool.

Os relatos perturbadores na obra de Sarchie inspiraram o diretor e roteirista Scott Derrickson (de "O Exorcismo de Emily Rose") a realizar "Livrai-nos do Mal". Algo muito similar ao que aconteceu com os mistérios desvendados pelo casal Lorraine e Ed Warren, que basearam o roteiro de “Invocação do Mal” (de James Wan, 2013). A diferença, aqui, é o resultado.

Derrickson traz às telas Sarchie (Eric Bana) como protagonista e trabalha na construção de sua identidade de demonólogo. Policial com faro para problemas, ou o que seu parceiro Butler (Joel McHale) chama de “radar”, assume um enigmático caso sobre três veteranos da guerra do Iraque e estranhas pinturas na parede.

Aparentemente, o trio de azarados caiu em uma espécie de catacumba enquanto estavam no Exército e, quando voltaram para os EUA, apresentaram um bizarro comportamento. A esposa de um deles, Jane (Olivia Horton), tentou até matar o filho, visivelmente perturbada.

Sarchie, que não acredita no sobrenatural, passa a duvidar de suas convicções ao presenciar os estranhos fenômenos que ocorrem ao redor dos envolvidos. É instigado pelo padre jesuíta Mendoza (o ótimo Édgar Ramírez), que define o caso como possessão demoníaca. O policial, assim, precisará enfrentar o mal e, acima de tudo, sua falta de fé.

Apesar da atmosfera sombria e boas cenas de tensão, o que era de se esperar de Derrickson, a adaptação se perde em uma narrativa arrastada.

O próprio desenvolvimento dos personagens fica comprometido, em especial o de Sarchie, que parece perdido frente aos acontecimentos, e Butler, subaproveitado como alívio cômico e francamente dispensável aqui.

Os excessos da trilha sonora também causam estranheza: em vez de enfatizar a situação, saturam quem assiste com pontuações sem relevância.   Continuação...

 
Ator Eric Bana em Nova York. 03/12/2014 REUTERS/Carlo Allegri