ENTREVISTA–Ex-executivo da Shell defende combustíveis alternativos em documentário

sexta-feira, 19 de setembro de 2014 16:29 BRT
 

Por Lucas Iberico Lozada

NOVA YORK (Reuters) - Frustrado com o que descreve como falta de coragem política, um ex-presidente da subsidiária norte-americana da Royal Dutch Shell se coloca sob os holofotes em um novo documentário que abraça a causa dos combustíveis alternativos para automóveis.

O filme "PUMP" (bomba, em inglês) culpa as petroleiras e o que afirma serem táticas de obstrução, assim como a inércia política, por evitarem a adoção abrangente de combustíveis mais baratos e limpos baseados no gás natural e no etanol nos Estados Unidos, a maior economia do mundo.

O ex-executivo da Shell John Hofmeister tem se dedicado a criticar o que diz ser uma dependência imprudente do petróleo e o alto preço da gasolina pago pelos consumidores.

"Temos mais gás natural e petróleo do que jamais iremos precisar" nos EUA, afirma Hofmeister, que chefiou a filial da Shell, na cidade de Houston, entre 2005 e 2008, em uma entrevista à Reuters na quinta-feira. "A questão é: qual é o preço de todo esse petróleo? Se o petróleo é caro demais para as pessoas comuns... ele abala a economia como um todo".

Para Hofmeister, que é membro do conselho de assessores do grupo sem fins lucrativos Fuel Freedom Foundation (Fundação para Liberdade do Combustível, em inglês), um dos produtores do filme, a solução para os preços altos nos postos seria mudar a regulamentação para permitir que os proprietários de carros modifiquem o motor para poderem usar uma combinação de etanol ou de gás natural ou metanol com gasolina, o chamado "combustível flex".

A extração de óleo de xisto proporcionou nova e imensa oferta de gás natural e de petróleo na América do Norte nos últimos anos.

Tal processo, diz Hofmeister, só custaria algumas centenas de dólares aos consumidores e permitiria o uso de qualquer proporção de etanol e gasolina que se desejasse.

A visão de Hofmeister enfrenta grandes obstáculos. Atualmente, a modificação dos motores a gasolina anula a garantia dos veículos, e o metanol, usado principalmente em carros de corrida devido a seus altos níveis de octanagem, é ilegal para uso em veículos de passeio.   Continuação...