Príncipe Charles, da Grã-Bretanha, pede que diferentes crenças se respeitem

terça-feira, 4 de novembro de 2014 20:31 BRST
 

LONDRES (Reuters) - O príncipe Charles, da Grã-Bretanha, pediu a líderes religiosos para incentivar seguidores a respeitar pessoas de outras religiões, citando a perseguição atual dos cristãos no Oriente Médio como um exemplo onde essa relação é inexistente.

Charles falou em um vídeo divulgado nesta terça-feira para acompanhar um relatório da associação católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre.

"É uma tragédia indescritível que o cristianismo está agora sob tal ameaça no Oriente Médio", disse ele.

Combatentes do Estado Islâmico expulsaram os cristãos de Mosul, no norte do Iraque, em julho, encerrando uma presença que remonta aos primeiros anos do cristianismo. O grupo sunita também tem como alvo muçulmanos xiitas e minorias religiosas, executando centenas de prisioneiros no Iraque e Síria.

Charles, o herdeiro do trono britânico, disse que os líderes religiosos devem ser porta-vozes e que diferentes fés devem trabalhar juntas.

"Em vez de permanecer em silêncio, os líderes religiosos têm, na minha opinião, a responsabilidade de assegurar que as pessoas dentro de sua própria tradição respeitem as pessoas de outras tradições de fé", disse ele.

Tradicionalmente, a família real da Grã-Bretanha não expressa opiniões políticas em público, com a chefe de Estado sendo apenas uma figura constitucional. Durante o seu longo reinado, a rainha Elizabeth, de 88 anos, nunca manifestou suas opiniões.

Mas Charles tem causado polêmica muitas vezes, manifestando opiniões fortes sobre meio ambiente, arquitetura e assuntos sociais. Ele disse que sua fé cristã lhe permitiu falar e ouvir pessoas de outras tradições, incluindo o Islã.

O príncipe também apelou aos governos para defender o artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a liberdade de mudar de religião ou crença.

O relatório da associação Ajuda à Igreja que Sofre identificou 81 países onde a liberdade religiosa é prejudicada ou em declínio, com 55 países mostrando a deterioração das condições da liberdade religiosa entre outubro de 2012 e junho 2014.

(Reportagem de Sarah Young)

 
Príncipe Charles em cerimônia na Cidade do México, em 3 de novembro.  REUTERS/Edgard Garrido