ESTREIA-"Uma Viagem Extraordinária" retrata aventura de menino superdotado

quarta-feira, 5 de novembro de 2014 16:30 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Diretor conhecido por filmes com um toque de fantasia, o francês Jean-Pierre Jeunet (“Delicatessen”, “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”) entra à vontade no universo de "Uma Viagem Extraordinária", em que o ponto de partida é o livro “O Mundo Explicado por T.S. Spivet”, de Reif Larsen.

Tudo gira em torno de um menino de 10 anos, que atende pelo nome quase solene de T.S. Spivet (o cativante Kyle Catlett) – que nada mais é do que o apelido do impronunciável nome Tecumseh Sparrow, a obscura combinação de um nome indígena e um suposto incidente de seu nascimento, envolvendo um pardal (“sparrow”, em inglês).

O nome maluco é um símbolo de muitos contrastes na vida desse menino, um geniozinho superdotado, com talento para todos os ramos científicos, que vive num bucólico rancho de Montana, filho de pais que não poderiam ser mais opostos – um cowboy caladão à moda antiga (Callum Keith Rennie) e uma mãe entomóloga, a doutora Clair (Helena Bonham Carter).

Nesse ambiente, em que a amplidão da natureza é páreo apenas para a curiosidade de T.S., uma tragédia abalou a família, envolvendo o garotinho, Layton (Jakob Davies), seu filho do meio. Um episódio que, com todo o trauma que criou, é envolto pelo silêncio e por um sentimento de culpa de T.S.

Nesse contexto, ele recebe um telefonema, pelo qual é notificado de que ganhou um prêmio de um dos mais renomados institutos científicos do país, o Smithsonian, pela invenção da máquina do movimento perpétuo. Naturalmente, T.S. não vê a hora de receber o troféu, mas tem um problemão – ninguém imagina que ele não passa de uma criança, muito menos os organizadores do prêmio.

Desistir não está nos planos do audacioso garoto, que planeja uma viagem até a capital norte-americana, Washington, sem contar nada nem aos pais, nem à irmã mais velha, Gracie (Niamh Wilson).

Muito do filme retrata esta aventura, levada adiante por trem, em que T.S. terá que desenvolver seus instintos de maneira jamais tentada antes, conferindo à jornada um sabor nostálgico, de filmes à moda antiga, ao percorrer diversas paisagens dos EUA que a versão em 3D particularmente valoriza.

Na segunda parte, a modernidade se impõe, especialmente no enfrentamento com a mídia que está no caminho de T.S. Muito da história funciona com base na peculiar excentricidade de seu núcleo familiar, e no encanto do garotinho - um talento natural diante das câmeras, uma mistura singular de graça, fragilidade e ternura, além de uma esperteza toda especial.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Diretor francês Jean-Pierre Jeunet durante festival de Deauville, na França, em 2009. 06/09/2009. REUTERS/Pascal Rossignol