ESTREIA–Pierce Brosnan volta a papel de espião em “November Man“

quarta-feira, 5 de novembro de 2014 17:12 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Mais do que ao mês de sua estreia, “November Man – Um Espião Nunca Morre” (2014), de Roger Donaldson, deve seu título não só à série de romances em que se inspira – “November Man”, de Bill Granger – além de aproveitar, como marketing, uma alusão ao icônico espião da franquia “007”, que já foi interpretado por seu protagonista, o irlandês Pierce Brosnan.

Brosnan, que encarnou o agente secreto do MI-6 James Bond, entre a década de 1990 e o início dos anos 2000, agora interpreta o espião da CIA Peter Devereaux. O prólogo apresenta-o em sua última missão, quando uma ação precipitada de seu pupilo, David Mason (o australiano Luke Bracey, nos cinemas brasileiros também no açucarado “O Melhor de Mim”), vitima uma criança.

No entanto, cinco anos depois, a iminência de que uma antiga protegida – que logo se revela bem mais do que isso –, a infiltrada Natalia (Mediha Musliovic), está em perigo por possuir informações relevantes sobre o passado criminoso do candidato à presidência da Rússia, Arkady Federov (Lazar Ristovski), o faz voltar à ativa.

Ao tentar descobrir a chave do segredo que Natalia trabalhou tanto para obter, Devereaux vai atrás da assistente social Alice Fournier (curiosamente, a bond girl Olga Kurylenko, de “007 – Quantum of Solace”, de 2008). Ele procura saber o paradeiro da refugiada Mira Filipova que, quando garota (Nina Mrdja), esteve sob a “proteção” de Federov e conhece todo o perigoso jogo político orquestrado pelo então general e outras autoridades. Só que, ao proteger esta bela mulher de uma assassina russa (Amila Terzimehic), ele passa a ser caçado pela CIA e quem fica na sua cola é justamente David.

Só com uma breve sinopse já é possível perceber como a trama apresentada por Donaldson, que já dirigiu Brosnan no catastrófico “O Inferno de Dante” (1997), reduz a política internacional, as guerras regionais e a espionagem a meras ações concentradas e facilmente operadas por essas poucas personagens apresentadas na produção.

Um exemplo é como os roteiristas Michael Finch – “Predadores” (2010) – e Karl Gajdusek – “Reféns” (2011) e “Oblivion” (2013) – colocam como o simples desejo de um homem para alcançar mais poder bastou para causar a Segunda Guerra na Chechênia.

Além disso, o roteiro é repleto de clichês do gênero – uma das poucas exceções seria colocar a figura do assassino de elite como uma mulher que faz alongamentos antes de sair para matar inocentes –, presente desde o cerne da história, tentando retomar os tempos da Guerra Fria.

Por mais que algumas decisões recentes do presidente russo Vladimir Putin lembrem este período, é cansativa a repetição hollywoodiana em evocar tal época. E mesmo que o filme tente apontar que tanto russos quanto norte-americanos são capazes de tudo e podem até se unir para obterem o que desejam, no final, quem “salva o mundo”?

O esforço, charme e carisma de Pierce Brosnan tornam esta corrida de gato e rato entre mestre e aprendiz, conduzida por Roger – que alterna bons trabalhos, como “Efeito Dominó” (2008), e maus resultados, a exemplo de “O Pacto” (2011) –, pelo menos, atraente ao grande público, apesar de disparates, como a forçada conversa dos dois no celular em plena perseguição ou a estranha cena de ameaça a uma jovem garota – que poderia indicar uma interessante virada no protagonista, tornando-o mais ambíguo; mas não é o que acontece.   Continuação...

 
Pierce Brosnan durante o Festival de Berlim, em 10 de fevereiro de 2014. REUTERS/Thomas Peter