Designer cria mobiliário e obras de arte com destroços de tufão filipino

quinta-feira, 6 de novembro de 2014 16:28 BRST
 

Por Michaela Cabrera

MANILA (Reuters) - Um jovem designer da Costa Rica está transformando a devastação em oportunidade um ano depois que o tufão mais devastador já registrado assolou as Filipinas.

Bernardo Urbina, de 26 anos, vivia na cidade de Cebu quando o tufão Haiyan arrasou com o centro das Filipinas em novembro passado, arrastando muito do que estava em seu caminho com arremetidas semelhantes às de um tsunami e expulsando cerca de 4 milhões de pessoas de suas casas.

Urbina viajou a Tacloban, a cidade costeira mais atingida, e começou a comprar destroços e restos de madeira dos moradores para retransformá-los em peças de móveis e obras de arte.

“Não foi só um tronco que pegamos e convertemos em mobília… alguém foi o proprietário daquele destroço, daquela cabeceira, daquele batente de porta. E nós aprimoramos o material e lhe demos um novo uso para aumentar seu valor”, disse Urbina à TV Reuters.

Cada uma das peças únicas de Urbina conta uma história. Um andador de criança virou uma mesa de café, e pedaços de madeira descartados de árvores tombadas encontraram uma nova função como apoio de copos.

Urbina apresentou sua primeira coleção em Cebu em setembro, atraindo compradores interessados em peças com preços entre 400 e 980 dólares. Uma segunda coleção foi exibida em Manila no mês passado.

Ele também expôe fotos dos moradores de Tacloban que eram proprietários da casa ou o item que deram origem aos destroços.

O designer afirmou que irá dar 10 por cento do lucro de cada peça da linha de móveis 'Tacloban Prevails' (Tacloban Pravalece) aos sobreviventes do tufão dos quais adquiriu a matéria-prima de suas criações.

“Não é só uma empresa de móveis, é mais como um sistema que cria uma ponte de comunicação entre o usuário final e os filipinos afetados através do mobiliário”, disse.

(Reportagem de Reuters TV)

 
Meninos em barco improvisado com restos de refrigerador perto de casa destruída pelo tufão Haiyan, na cidade de Tacloban (Filipinas). 5/11/2014   REUTERS/Erik De Castro