Soprano russa causa polêmica ao posar com bandeira rebelde ucraniana

terça-feira, 9 de dezembro de 2014 18:04 BRST
 

MOSCOU (Reuters) - A soprano russa Anna Netrebko, um dos maiores nomes da ópera internacional, gerou polêmica ao posar com a bandeira dos rebeldes pró-russos da Ucrânia e fazer uma doação à casa de ópera no principal reduto dos separatistas, Donetsk.

Netrebko disse no Facebook que não tinha reconhecido a bandeira da "Novorossiya" (Nova Rússia) quando posou ao lado de um oficial rebelde no domingo e lhe entregou a doação de 1 milhão de rublos (18.439 dólares).

"A presença da bandeira não foi planejada e me pegou de surpresa, eu realmente não a reconheci e só mais tarde percebi o que era", disse ela.

Oleg Tsariov, o oficial rebelde, publicou uma foto do encontro em seu Twitter, provocando fortes reações na página de Netrebko no Facebook. Enquanto alguns fãs exclamaram 'Bravo!', outros comentários expressaram desgosto e a chamaram de estúpida ou ingênua.

Houve críticas na Áustria, onde Netrebko mora e tem dupla cidadania.

"O encontro com um líder separatista e a foto tirada em frente a uma bandeira separatista são altamente problemáticos", afirmou um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores austríaco à Reuters. "Dada a situação muito difícil que estamos enfrentando na Ucrânia, isso não é nada útil."

Netrebko disse que sua doação para a casa de ópera em Donetsk não tinha ligação com política.

"Eu simplesmente quero que a disputa termine o mais rápido possível e quero apoiar a arte e os artistas em um momento de conflito terrível", declarou ela.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que mais de 4.300 pessoas foram mortas em oito meses de conflito entre as forças do governo ucraniano e rebeldes pró-russos no leste da ex-república soviética.

(Reportagem de Vladimir Soldatkin e Kiryl Sukhotski em Moscou e Michael Shields, em Viena)

 
A soprano russa Anna Netrebko (à direita) e Oleg Tsaryov, oficial rebelde pró-russo, seguram uma bandeira "Novorossiya" (Nova Rússia)  durante uma cerimônia beneficente e entrevista coletiva em São Petersburgo, na Rússia, no domingo. 07/12/2014 REUTERS/Stringer