ESTREIA-"Ouija - O Jogo dos Espíritos" é terror morno para adolescentes

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014 16:24 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Não são poucos os filmes que trazem o tabuleiro ouija como um poderoso elemento de terror para produções do gênero. Conhecido em sua forma compacta, patenteada nos Estados Unidos no século XIX, ele nada mais é que uma ferramenta com a qual os mais crentes pretendem contatar espíritos, seguindo o princípio de letras e números usados no popularíssimo “jogo do copo”.

A facilidade de encontrá-lo, ou mesmo confeccionar um caseiro, garante a imensa quantidade de relatos que se leem como “verdadeiros” na web, muitos deles insumos para a centena de filmes que têm o tabuleiro como personagem. E todos têm sempre algo em comum: um grupo de azarados resolve “jogar”, sem antever que convocar espíritos (seja verdade ou não) só traz problemas.

“Ouija – O Jogo dos Espíritos”, o primeiro longa de Stiles White na direção (ele é conhecido pelo trabalho nos efeitos especiais de “Jurassic Park III”), não foge à regra. Aqui, a jovem Debbie (Shelley Hennig) resolve usar o tabuleiro sozinha e acaba assassinada por algo sobrenatural. Mas sua morte é considerada um suicídio. Sua amiga de infância Laine (Olivia Cooke) suspeita da versão oficial e, com a ajuda da irmã e amigos, passa a investigar o caso.

Quanto mais Laine se aprofunda na morte de Debbie, mais dependente fica do ouija, sem saber que um espírito maligno a guia (tal como seu grupo) para a morte. Quando descobre a identidade da assombração, corre para encontrar uma forma de detê-la.

Embora dirigido por White, uma das cabeças por trás deste longa é o produtor Jason Blum, dono da Blumhouse, companhia responsável pelos filmes de terror de baixo orçamento mais assistidos dos últimos anos (as franquias “Sobrenatural” e “Atividade Paranormal” são apenas alguns exemplos). As outras são de Michael Bay e do estúdio Hasbro que, incrivelmente, não tentam vender algum produto aos espectadores durante o filme ou fixar alguma marca.

Apesar da linha de frente tão poderosa, o resultado de “Ouija...” decepciona por sua fragilidade. Embora até consiga realizar uma ambientação adequada, falta tensão narrativa. O diretor (que também é roteirista) não consegue criar as situações de terror para injetar o suspense de que a história tanto necessita, tornando tudo muito morno e sem um real impacto.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Atriz Olivia Cooke durante evento em San Diego, na Califórnia, Estados Unidos, em julho. 25/07/2014 REUTERS/Mario Anzuoni