Artistas defendem liberdade de expressão, mas temem a censura sobre o Islã

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015 09:45 BRST
 

Por Johan Ahlander e Ole Mikkelsen

ESTOCOLMO/COPENHAGUE (Reuters) - Os cartunistas e escritores defenderam a liberdade de expressão após o ataque de quarta-feira a um jornal semanal satírico em Paris, mas a realidade para alguns artistas acusados de insultar o Islã tem sido anos na clandestinidade, necessidade de proteção da polícia e, para alguns, a censura.

Entre os 12 mortos no Charlie Hebdo, um semanário que satiriza o Islã e outras religiões, estavam alguns dos melhores cartunistas da França. Antes deles, outros artistas, como o sueco Lars Vilks, também foram alvo de ameaças ou violência física.

"Quando você elimina um dos poucos bastiões da liberdade de expressão que temos, e ele foi tirado, quem se atreve a publicar qualquer coisa agora?", disse Vilks.

Vilks foi colocado sob proteção policial depois que uma charge sua retratando o profeta Maomé como um cão, em 2007, provocou ameaças de morte e uma oferta de 100 mil dólares de recompensa por sua cabeça, feita por um grupo iraquiano ligado à Al Qaeda.

"Se você fizer uma charge de Jesus ou do Papa pode ser publicado, mas o profeta Maomé é proibido em todos os meios de comunicação social. É regulado pelo medo misturado com o politicamente correto", disse Vilks à Reuters.

No início de 2014, uma mulher norte-americana autodenominada Jihad Jane foi condenado a 10 anos de prisão por conspirar para matar Vilks.

Vilks diz que sua carreira foi prejudicada por preocupações quanto à segurança até mesmo com trabalhos não relacionados ao Islã.

Artistas de toda a Europa falam do temor de que o ataque a Charlie Hebdo possa conduzir à autocensura à sátira religiosa, especialmente sobre o Islã. Para os muçulmanos, qualquer representação do profeta é uma blasfêmia e caricaturas ou outras caracterizações provocaram protestos em todo mundo islâmico.   Continuação...

 
Mulher olha capas de jornais em banca de Nice, na França. 08/01/2015  REUTERS/Eric Gaillard