Indicado ao Oscar, "Leviatã" causa controvérsia na Rússia

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015 14:02 BRST
 

Por Gabriela Baczynska

MOSCOU (Reuters) - O filme do diretor russo Andrei Zvyagintsev “Leviatã”, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, recebeu grandes elogios ao redor do mundo, mas o longa divide opiniões na Rússia, onde alguns o veem como uma crítica ao presidente Vladimir Putin e ao próprio país.

Sem restrições, o filme lança um olhar direto sobre como um prefeito corrupto esmaga todos aqueles que se colocam no caminho rumo aos seus objetivos, e levou até mesmo um ativista da igreja ortodoxa russa a pedir pela proibição de sua exibição na Rússia.

Os críticos de Putin dizem que a história reflete a vida na Rússia nos últimos 15 anos, desde que o ex-espião da KGB chegou ao poder, com seus representantes públicos corruptos se enriquecendo ilícita e impunemente.

O Ministério da Cultura russo foi um dos financiadores do filme, mas agora alega que o longa prejudica a imagem da Rússia somente para conseguir aclamação internacional.

“Filmes focados não somente em críticas das atuais autoridades, mas em cuspir abertamente sobre elas..., repletos de um senso de desespero e desesperança sobre nossa existência, não deveriam ser financiados pelos contribuintes”, disse o ministro da Cultura russo, Vladimir Medinsky, em uma entrevista a um jornal publicada esta semana, ao ser perguntado se o ministério apoiaria filmes similares no futuro.

Embora “Leviatã” tenha estreado em meados de 2014, os cinemas na Rússia vão começar a exibi-lo somente em fevereiro, com a ocultação do linguajar obsceno, em atendimento a leis russas sobre profanação.

O longa, em grande parte filmado na vila de Teriberka, às margens do mar de Barents, no extremo norte russo, já amealhou mais de uma dezena de premiações, incluindo um Globo de Ouro.

Na quinta-feira, o filme recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro, junto com quatro outras produções.   Continuação...

 
Diretor russo Andrei Zvyagintsev, de “Leviatã", em entrevista em Moscou. 24/12/2014 REUTERS/Sergei Karpukhin