Crânio pré-histórico é peça-chave na reconstituição da história humana

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 19:45 BRST
 

Por Will Dunham

WASHINGTON (Reuters) - Parte de uma caveira recuperada numa caverna no norte de Israel está lançando luz sobre um momento crucial do início da história humana, quando nossa espécie peregrinava da África para povoar outras partes do mundo, encontrando no caminho nossos primos mais próximos, os neandertais.

Cientistas disseram nesta quarta-feira que o fragmento de cima do crânio, a parte da caixa craniana sem a face ou a mandíbula, foi desenterrado na caverna Manot, no oeste da Galileia, em Israel. Técnicas científicas de datação determinaram que o crânio possui cerca de 55 mil anos de idade.

As características do crânio, datado de um período em que se acredita que os membros de nossa espécie estivessem saindo da África, sugerem que o indivíduo em questão era um parente próximo das primeiras populações dos Homo sapiens, que depois colonizaram a Europa, segundo pesquisadores.

Cientistas afirmaram também que o crânio oferece a primeira evidência de que o Homo sapiens habitou aquela região junto aos neandertais, parente extinto mais próximo da raça humana.

O antropólogo da Universidade de Tel Aviv Israel Hershkovitz, líder do estudo publicado na revista Nature, classificou o crânio como "uma importante peça do quebra-cabeça da grande história da evolução humana".

Evidências genéticas anteriores sugerem que nossa espécie e os neandertais se cruzaram em torno do mesmo período do qual o crânio foi datado, resultando na presença de vestígios de DNA Neandertal em todas as pessoas de ascendência Eurásia.

"É a primeira evidência fóssil direta de que os humanos modernos e os neandertais habitaram a mesma área ao mesmo tempo", disse outro integrante das pesquisas, o paleontólogo Bruce Latimer, da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, nos Estados Unidos.

"A coexistência dessas duas populações numa restrita região geográfica, ao mesmo tempo em que modelos genéticos preveem o cruzamento, promove a noção de que o cruzamento (entre as espécies) pode ter ocorrido na região do Levante", disse Hershkovitz.   Continuação...