Oscar pode recompensar ousadia imaginativa de "Birdman"

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015 14:58 BRST
 

Por Mary Milliken

LOS ANGELES (Reuters) - Desde a primeira cena, que mostra o ator Michael Keaton levitando só de cuecas, fica claro que “Birdman” não é um filme convencional.

Favorito ao Oscar de melhor filme, o longa do diretor Alejandro G. Iñárritu satiriza o meio artístico e leva a plateia por um túnel cinematográfico – e não só por transcorrer nos meandros de um teatro da Broadway.

Ao embarcar em “Birdman”, o cineasta mexicano sentiu que a narrativa do cinema estava “um pouco travada” e quis fazer algo novo por crer que o público merecia.

A indústria do cinema, diz Iñárritu, tende a fazer filmes cômodos e fáceis para os espectadores entenderem, “sem convidá-los a explorar maneiras diferentes de acreditar no cinema ou nas histórias e nas possibilidades infinitas que o cinema oferece”.

A exploração de “Birdman” inclui o lado técnico – filmar no que parece ser uma única tomada, feito do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, já premiado com um Oscar. A câmera abre caminho através de camarins, saguões, ao redor do palco enquanto os atores ensaiam, pelo parapeito do prédio e pelas ruas da Broadway.

Também é um filme emotivo. Interpretado por Keaton, Riggan Thomson, um ator decadente que tenta um recomeço com uma peça de teatro cerebral, luta com a voz de seu personagem de filme mais famoso, o super-herói Birdman, que o cobre de críticas.

O diretor de “Amores Brutos” e “Babel” não entrega sua primeira comédia em um embrulho bonito, deixando o destino de Riggan e o final do filme abertos a interpretações.

“Não é fácil romper com as regras e não é fácil encontrar coragem para financiar e arriscar dinheiro nisso”, disse Iñárritu, falando por telefone da gelada Calgary, no Canadá, onde filma o drama “The Revenant”.   Continuação...

 
Bo, Dinelaris, Jr., diretor Iñárritu e Giacobone posam com Globo de Ouro de "Birdman". 11/02/2015 REUTERS/Mike Blake