ESTREIA-"A Casa dos Mortos" é mistura engenhosa de referências de terror

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015 16:39 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Um dos argumentos mais convencionais do terror é o da casa mal-assombrada que, por uma razão ou outra, leva um grupo de azarados a passar um tempo por ali. Sejam famílias, adolescentes, ou mesmo detetives paranormais, o desenrolar é sempre de muito tormento para os envolvidos, incluindo mortes e, claro, um punhado de aparições demoníacas para dar identidade ao mal.

O cineasta James Wan, a cabeça por trás das franquias “Jogos Mortais” e “Sobrenatural” (além de dirigir “Invocação do Mal”), entende como esses elementos devem estar dispostos para criar as situações de tensão em seus filmes. Em “A Casa dos Mortos”, ele demonstra o quanto é engenhoso para contar uma história, apropriando-se das referências do gênero.

Embora a direção caiba a Will Canon (de “Brotherhood”), foi Wan quem inventou as bases do roteiro (escrito também por colaboradores de Canon) e produziu o filme, com grande poder de ingerência. Não por acaso, é seu nome que vai impresso em destaque nos pôsteres do longa, o que, neste caso, é praticamente uma assinatura, muito além do uso comercial de sua reputação.

A produção começa com uma série de recortes midiáticos sobre a casa Livingston, em Louisiana (EUA), que no fim dos anos 1980 foi palco de uma tragédia: a dona da casa, Martha, matou vários de seus amigos e depois se enforcou. Nos anos seguintes, o lugar abandonado ganhou a pecha de mal-assombrado, tornando-se mito local.

Já nos dias atuais, o detetive de polícia Lewis (Frank Grillo) é chamado à casa por um vizinho e descobre por lá os corpos de uma equipe de investigadores paranormais amadores. O sobrevivente, John (Dustin Milligan), em estado de choque, não consegue lembrar-se do que aconteceu, mas sabe que há dois integrantes do grupo desaparecidos.

Com a ajuda da psicóloga Dra. Klein (Maria Bello), o rapaz começa a recordar partes dos episódios fatídicos daquela noite, enquanto Lewis resgata as imagens gravadas pelo grupo. Mas as respostas acabam criando ainda mais mistérios, incluindo aí um ritual demoníaco.

O filme trabalha em três percepções distintas: a do detetive, que busca motivos racionais para o crime; as gravações, que revelam muito pouco, mas atestam o inexplicável; e as memórias de John. Estas últimas são as mais difíceis de crer, já que, para o espectador, não são de testemunha ocular, pois nos flashes há cenas em que ele nem está presente.

Superados os erros que podem gerar essa incoerência, “A Casa dos Mortos” caminha bem, investindo em estilos diferentes de filmagem. Usa o que há de mais tenso no que se chama “found footage”, ou seja, “vídeos encontrados”, como em “A Bruxa de Blair” ou “Atividade Paranormal”, e costura essas imagens a uma narrativa linear, policial.

Embora dispense sutilezas no que mostra na tela, o filme não é tão sanguinolento como “A Morte do Demônio” (seja o original ou a recente refilmagem), ou claustrofóbico, como “Fenômenos Paranormais” (2011). É um misto de referências que convergem para este longa enxuto (83 minutos), com muitos sustos e bastante simples, sem ser simplório.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Ator Frank Grillo durante evento em Cannes, na França, em outubro. 14/10/2014 REUTERS/Eric Gaillard