February 19, 2015 / 2:33 PM / in 2 years

Oscar 2015 pode tornar Hollywood mais introspectiva

5 Min, DE LEITURA

Ator Chris Pine e Cheryl Boone Isaacs, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood , durante o anúncio dos indicados a Melhor Ator. 15/01/2015Phil McCarten

LOS ANGELES (Reuters) - Para o mundo exterior, Hollywood pode transbordar glamour, mas quase todos os envolvidos na produção de filmes dirão que o processo é uma batalha árdua e um golpe constante no ego e na conta bancária.

Isso pode explicar por que dois concorrentes que simbolizam a luta inerente ao meio artístico –“Birdman” e “Boyhood”– são os principais favoritos ao prêmio de melhor filme na cerimônio do próximo domingo.

Mesmo que “Birdman” tenha uma ligeira vantagem, a corrida é uma das mais disputadas em anos, dizem especialistas, o que acrescenta um suspense bem-vindo ao clímax anual de Hollywood, o maior evento televisionado dos Estados Unidos fora do âmbito esportivo.

E há espaço para um azarão levar a principal honraria da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, composta de 6.100 pessoas que colocam a mão na massa na indústria.

A força de “Birdman” está não somente em suas nove indicações, na quase totalidade dos prêmios dos sindicatos de Hollywood e na sua ousadia visual, mas também no enredo, que fala diretamente ao maior bloco de eleitores da Academia: os atores.

O diretor Alejando G. Iñárritu põe em cena um ator decadente de filmes de super-herói que tenta uma volta por cima, interpretado por Michael Keaton, cuja própria carreira murchou depois de seu auge na primeira franquia de “Batman”.

“A mensagem do filme é que, mesmo que você esteja desempregado e não tenha todo o sucesso que merece, ainda é uma pessoa maravilhosa, fantástica”, disse Tim Gray, editor de premiações da revista Variety.

“Acho que todos na Academia podem se identificar com isso, porque é o estado normal na indústria do cinema, passar muito tempo desempregado”, acrescentou.

Keaton, portanto, pode tomar o Oscar de melhor ator de Eddie Redmayne, que já conquistou uma série de prêmios por sua interpretação do físico Stephen Hawking em “A Teoria de Tudo”.

“Boyhood” é uma história mais simples sobre um filho de pais divorciados que se aproxima da maturidade, mas o diretor Richard Linklater angariou o respeito da indústria por uma maratona jamais tentada antes: rodar o filme ao longo de 12 anos com o mesmo elenco. E o fez com um orçamento miserável.

prêmios Divididos

Pode ser que os dois principais candidatos dividam as honrarias de melhor filme e melhor diretor, como “12 Anos de Escravidão” e “Gravidade” no ano passado.

“Parace que muita gente está dizendo que se votar em 'Birdman' em uma dessas duas categorias irá votar em 'Boyhood' na outra”, afirmou Paul Sheehan, editor de apostas de premiações do site GoldDerby.com.

Mas, em razão de haver uma cédula "preferencial" para melhor filme, na qual os eleitores hierarquizam seus preferidos em vez de colocar apenas um, uma produção que é a segunda escolha de muitos pode prevalecer. Para Sheehan, trata-se de “O Grande Hotel Budapeste”, do diretor Wes Anderson.

O ator Bill Murray brincou estar muito feliz por Anderson estar sendo reconhecido por não ter mais que defender o ecêntrico cineasta. Seu filme, cheio de cores vivas e situado em um hotel de uma Europa de outros tempos, conquistou a aprovação de críticos e plateias.

Mas o filme mais popular junto ao público tem sido “Sniper Americano”, o retrato desolador do diretor Clint Eastwood a respeito do fuzileiro naval Chris Kyle, o atirador de elite mais mortífero da história militar dos EUA depois de quatro incursões na guerra do Iraque.

A produção arrecadou 307 milhões de dólares nas bilheterias norte-americanas, mais que os sete outros concorrentes a melhor filme juntos, e ganhou ímpeto nas últimas semanas graças a um debate acalorado sobre o tema que aborda.

“Selma”, a cinebiografia de Martin Luther King Jr., conquistou apoiadores em um primeiro momento mas perdeu gás, sendo indicada em somente duas categorias, e se tornou um símbolo da falta de diversidade dos indicados deste ano.

Diante de uma das menores arrecadações de indicados a melhor filme nos últimos tempos, a Academia encara um ano desafiador para sua transmissão na televisão, e vai apostar nos números musicais e na estreia do apresentador Neil Patrick Harris para atrair o público jovem.

As pessoas gostam de debochar do Oscar, diz Gray, mas em um mundo saturado de opções de entretenimento ele prefere acreditar que a premiação ainda é “uma forma de selecionar” os melhores trabalhos de Hollywood.

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