Jornalista da Reuters Maria Golovnina morre no Paquistão aos 34 anos

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 17:22 BRT
 

LONDRES (Reuters) - A chefe de redação da Reuters para o Afeganistão e o Paquistão, Maria Golovnina, querida e admirada por todos pela sua coragem, compaixão e profissionalismo, morreu em Islamabad nesta segunda-feira.

Maria, de 34 anos, foi encontrada caída e inconsciente na redação e foi levada às pressas ao hospital, mas as equipes médicas não conseguiram salvá-la.

Em uma carreira de mais de uma década na Reuters, Maria estava sempre em ação, fazendo reportagens de alguns dos lugares mais perigosos do mundo com uma autoridade serena que jornalistas mais experientes só podiam admirar.

Ela tinha sede de entender o que move os seres humanos, fosse em meio à comoção da revolução líbia ou na calma do alvorecer do sul paquistanês enquanto sufis limpavam um santuário reverenciado com água de rosas na véspera de seus rituais.

Como o amigo e colega Peter Graff colocou, "a empatia não era só uma habilidade que ela desenvolveu para seu ofício. Era algo que ardia nela. Foi o que alimentou sua resistência lendária para o trabalho, a diversão e o aprendizado”.

Filha de expatriados russos, criada no Japão e escrevendo em seu terceiro idioma, o inglês, Maria começou a atuar na Reuters em Tóquio em 2001 e mais tarde trabalhou como trainee em Londres, Cingapura e Seul durante a graduação.

Ela atuou como enviada à Rússia entre 2002 e 2005, onde cobriu os primeiros anos da presidência de Putin, o cerco a um teatro de Moscou e uma série de ataques com bomba de rebeldes chechenos na região.

Maria se tornou correspondente-chefe para a Ásia Central em 2005, fazendo reportagens sobre a repressão do Uzbequistão às manifestações da oposição, as revoluções no Quirguistão e a instabilidade no Tadjiquistão.

Ela passou uma temporada no Afeganistão durante a eleição presidencial de 2009, e mais tarde foi enviada ao Iraque. Seu olho para os detalhes a ajudou a elaborar matérias sóbrias, mas impactantes, sobre acontecimentos complexos e dramáticos.   Continuação...

 
Repórter da Reuters Maria Golovnina trabalhando em Dalton-in-Furness, norte da Inglaterra, em 2012. 26/09/2012 REUTERS/Dylan Martinez