ESTREIA-"Kingsman: Serviço Secreto" tenta juntar fleuma britânica e violência

quarta-feira, 4 de março de 2015 16:37 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Cabeças explodem ao som de "Pompa e Circunstância", fiéis de uma igreja são massacrados ao som de uma música chamada "Free Bird". Não, "Kingsman: Serviço Secreto", de Matthew Vaughn ("X-Men: Primeira Classe"), não é dado a sutilezas. É um filme em que o sangue jorra sem pudor, mas com a conhecida fleuma britânica.

O mais curioso (talvez assustador seja uma palavra mais apropriada) é que isso pode não chegar a incomodar. Estamos todos anestesiados? Ou a violência do filme é tão estilizada que não dá para levar a sério?

"Kingsman" é uma versão adolescente de James Bond, e com isso, tudo o que a afirmação implica: é uma espécie de videogame de carne e osso com os hormônios borbulhando. Não se deixe enganar pelo destaque de Colin Firth no pôster; ele é apenas a escada para levantar Taron Egerton, o verdadeiro protagonista, na figura de Eggsy.

Baseado em quadrinhos de Mark Millar e Dave Gibbons, o filme se apresenta como o primeiro de uma série, com a obrigatória apresentação que leva mais da metade do tempo para, finalmente, dizer a que veio, o que pode não ser muito.

Em sua carreira, Vaughn se especializa em filmes de ação ultraviolentos, como "Kick Ass" e "Nem Tudo é o Que Parece", e seu desempenho aqui não indica nenhuma mudança de rumos. Não tem uma assinatura pessoal, é apenas um operário-padrão que distribui sopapos, espalha sangue e garante alta bilheteria.

Sua violência se esvazia em si mesma, não traz ressonância, não tem significado a não ser despertar e satisfazer instintos mais primitivos dele e de seu público também, talvez.

Se em alguns outros trabalhos funcionou, aqui a pancadaria e a sanguinolência embora exageradamente irreais, ainda impressionam. Não que não faça sentido no contexto de um filme como esses, mas o jorro de sangue, morte e selvageria se tornam o fetiche máximo de Vaughn, especialmente se for causada por uma moça (Sofia Boutella), cujas pernas são protéticas, como as do atleta Oscar Pistorius - e, no caso dela, afiadas.

Colin Firth é Harry Hart, um dos principais nomes de uma agência secreta britânica, portador de uma licença global para matar. Ele toma Eggsy sob sua proteção, por ser filho de um amigo, que foi morto em ação.

Aos 17 anos, o rapaz entra para o treinamento – também secreto – e disputará uma vaga com outros e outras colegas – que de colegas também não têm nada, apenas querem garantir seu lugar.   Continuação...

 
Os atores Colin Firth e Taron Egerton (esquerda) chegam para a pré-estreia de "Kingsman: Serviço Secreto", em Berlim, na Alemanha. 03/02/2015 REUTERS/Fabrizio Bensch