Militantes do Estado Islâmico arrasam antiga cidade assíria de Nimrud, no Iraque

sexta-feira, 6 de março de 2015 10:28 BRT
 

Por Dominic Evans e Saif Hammed

BAGDÁ (Reuters) - Combatentes do Estado Islâmico saquearam e devastaram a antiga cidade assíria de Nimrud, informou o governo iraquiano, no mais recente ataque dos militantes a alguns dos maiores tesouros arqueológicos e culturais do mundo.

Uma fonte tribal da vizinha cidade de Mossul disse à Reuters que o grupo ultrarradical islâmico sunita, que considera a herança cultural pré-islâmica do Iraque como idolatria, saqueou a cidade de cerca de 3.000 anos, situada às margens do rio Tigre.

O ataque contra Nimrud ocorre apenas uma semana após a divulgação de um vídeo mostrando forças do Estado Islâmico esmagando estátuas e esculturas de museus em Mossul, cidade que ocuparam em junho passado, ocasião em que se apoderaram de boa parte do norte do Iraque.

"Gangues terroristas Daesh continuam a desafiar a vontade do mundo e os sentimentos de humanidade", disse o Ministério do Turismo e das Antiguidades do Iraque, referindo-se ao Estado islâmico por seu acrônimo em árabe.

"Em um novo crime em sua bárbara série de delitos, eles assaltaram a antiga cidade de Nimrud e a devastaram com máquinas pesadas, apropriando-se de peças arqueológicas que datam de 13 séculos antes de Cristo”, disse o ministério.

Nimrud, situada cerca de 30 quilômetros ao sul de Mossul, foi fundada por volta de 1250 a. C. Quatro séculos mais tarde, tornou-se a capital do novo Império Assírio  – na época, o Estado mais poderoso da terra, que se estendia até o atual território do Egito, Turquia e Irã.

Muitos de seus mais famosos monumentos sobreviventes foram removidos do local há anos por arqueólogos, incluindo colossais touros alados, agora no Museu Britânico, em Londres, e centenas de pedras preciosas e moedas de ouro que foram levados para Bagdá.

Mas ruínas da cidade antiga permanecem no local, escavado por uma série de especialistas desde o século 19. O arqueólogo britânico Max Mallowan e sua mulher, a escritora de romances policiais Agatha Christie, trabalhou em Nimrud na década de 1950.   Continuação...

 
Iraquiana passa por mural assírio em museu de Bagdá retirado da cidade de Nimrud, em foto de arquivo. 03/07/2003 REUTERS/Radu Sigheti