Fotos de tortura no conflito sírio são exibidas na ONU

terça-feira, 10 de março de 2015 17:50 BRT
 

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Grã-Bretanha, França, Catar, Arábia Saudita, Turquia e Estados Unidos fazem uma exposição na Organização das Nações Unidas (ONU) de fotos tiradas na Síria por um ex-fotógrafo da polícia militar que mostram o que parece ser evidência de tortura.

Cerca de duas dezenas de algumas das 55 mil fotografias tiradas --algumas que mostram olhos sendo arrancados, estrangulamento e fome no longo prazo-- estão em exposição na sede da ONU em Nova York nesta semana, no momento em que o conflito na Síria entra no quinto ano.

Ex-procuradores de crimes de guerra têm descrito as imagens como "provas claras" de tortura e assassinatos coletivos sistemáticos em três anos de guerra civil na Síria. O fotógrafo foi identificado pelo nome fictício "Caesar". As imagens foram contrabandeadas para fora da Síria entre 2011 e meados de 2013.

O embaixador britânico na ONU, Mark Lyall Grant, afirmou que o objetivo da exposição foi o de aumentar a conscientização sobre os abusos de direitos humanos que as tropas do presidente sírio, Bashar al-Assad, são acusadas ​​de cometer contra o povo sírio.

"À medida que o conflito na Síria entra no seu quinto ano, o número de mortos e deslocados chegou a 220 mil e 7,6 milhões, e mais de 3,8 milhões de pessoas foram forçadas a fugir do país", disse Lyall Grant.

"Esperamos que esta exposição sirva como um lembrete do dever de alcançar uma solução política para o conflito com a máxima urgência para acabar com o sofrimento do povo sírio", disse ele.

O embaixador sírio na ONU, Bashr Ja'afari, não estava imediatamente disponível para comentar a exposição de fotos.

Caesar era um sargento sênior do Exército da Síria que passou 13 anos trabalhando como fotógrafo forense, dizem ex-promotores de crimes de guerra que examinaram as fotos.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU viram as fotos durante uma reunião informal em abril do ano passado. Rússia e China vetaram uma solicitação em maio para levar o caso ao Tribunal Penal Internacional para uma possível acusação de crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra civil.

"Essas fotos evidenciam a clara necessidade de justiça para o povo sírio", disse uma autoridade dos Estados Unidos sob condição de anonimato.

(Reportagem de Michelle Nichols)