ESTREIA-Al Pacino vive ator decadente em "O Último Ato", baseado em Philip Roth

quarta-feira, 1 de abril de 2015 16:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Há mais ou menos uma década – talvez desde sua participação como o personagem central de "O Mercador de Veneza" – Al Pacino não procurava algo no cinema que se assemelhasse o mínimo que fosse a um desafio.

Desde a participação em um filme de Adam Sandler (“Cada Um Tem a Gêmea Que Merece”) a policiais inócuos (“88 Minutos” e “As Duas Faces da Lei”, no qual divide cena com Robert DeNiro), o ator que interpretou Michael Corleone na trilogia “O Poderoso Chefão” não saía da zona de conforto.

Em “O Último Ato” – adaptação do romance “A Humilhação”, do escritor norte-americano Philip Roth –, Pacino mostra do que é capaz, algo que talvez tivéssemos esquecido há algum tempo, e se destaca mais do que o filme, algumas vezes histérico, em outras certeiro.

O tema é um ator envelhecido que está perdendo a razão num mundo governado por e para jovens mentes brilhantes. Os velhos e os fracos não têm vez.

Pacino é Simon Axler, ator veterano que, durante uma apresentação de uma peça de Shakespeare na Broadway, percebe que está perdendo aquilo que o fazia especial, algo maior do que seu talento apenas. A partir de então, o personagem entra numa espiral de insegurança e incerteza, no que considera uma espécie de reta final de sua vida.

Isso não transforma o filme, dirigido por Barry Levinson (“Assédio Sexual”, “Mera Coincidência”) em algo melancólico, pelo contrário, o tom predominante é de cinismo. Isso talvez porque o próprio diretor, o ator e o autor do romance estejam na mesma faixa etária do personagem, portanto, sabem como encarar essa fase com um humor sarcástico.

Num momento parecido com uma cena de “Birdman”, Axler se tranca do lado de fora do teatro onde estará em cena em poucos instantes, e não consegue convencer o segurança de que precisa entrar no palco a todo custo.

Quando, finalmente, consegue entrar, provoca um incidente e acaba num hospital psiquiátrico, onde conhecerá Sybil (Nina Arianda), uma mulher rica e perturbada que pede ajuda para matar o marido que, supostamente, abusou da filha do casal.

A dificuldade que esta mulher tem para distinguir entre realidade e fantasia é um dos temas que permeiam o filme – até mesmo a vida do protagonista, embora num outro nível. Como o projeto de vida dele parece ser trazer a verdade para seus papéis, a linha entre a imaginação e o mundo real é tênue.   Continuação...

 
Al Pacino concede entrevista coletiva no Festival de Filmes de Toronto, no Canadá, no ano passado. 07/07/2014 REUTERS/Fred Thornhill