ESTREIA-Cineasta francês adapta conto de Dostoiévski em "Noites Brancas no Píer"

quarta-feira, 8 de abril de 2015 16:06 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - "Meu Deus! Um minuto inteiro de felicidade! Afinal, não basta isso para encher a vida inteira de um homem?..."

É assim que Fiódor Dostoiévski encerra "Noites Brancas" (1848), seu conto sobre dois solitários que conversam durante quatro noites sobre o vazio de suas vidas e a eterna busca para preencher este espaço com amor.

A estrutura deste clássico russo com seus longos diálogos propicia sua adaptação para os palcos – já foram várias as peças teatrais inspiradas no livro –, mas a história também migrou para a TV e o cinema, incluindo uma versão brasileira no especial da Rede Globo em 1973 e "Um Rosto na Noite", o filme de Luchino Visconti, com Marcello Mastroianni e Maria Schell, que levou o Leão de Prata do Festival de Veneza em 1957.

O mais novo longa baseado nas linhas do escritor é "Noites Brancas no Píer" (2014), que apresenta um olhar minimalista do francês Paul Vecchiali sobre a obra.

Aqui, o protagonista, chamado apenas de "Sonhador" no conto, ganha nome: Fiódor (Pascal Cervo), que, segundo o próprio, ganhou esta alcunha porque sua mãe, já morta, era fã de Dostoiévski.

Uma clara homenagem ao autor que criou, com o personagem, um alter ego para si e para todos os leitores. Um homem amargurado pela vida que não consegue se relacionar com mulheres, até conhecer Nástienka, chamada de Natasha (Astrid Adverbe) no filme.

O professor Fiódor está em seu ano sabático e, em vez de viajar, estudar ou aproveitar este tempo de outra maneira, pretende resolver suas crises indo todas as noites ao cais de sua cidade para pensar.

Lá ele conhece Natasha, que espera no píer pela volta prometida de seu amado. A solitária moça conta que se apaixonou pelo inquilino que se instalara na casa de sua avó, que a criara desde pequena, mas o rapaz precisou ir embora e lhe disse que voltaria em um ano e a encontraria naquele porto. Por isso, ela vai durante noites seguidas ao local e acaba discutindo sua situação com seu colega notívago.

Vecchiali, que aparece brevemente na primeira cena avisando o protagonista de que não teria as mesmas convicções para sempre, fundamenta seu filme na força da palavra e o estrutura de maneira bem teatral.   Continuação...