15 de Abril de 2015 / às 19:39 / 2 anos atrás

ESTREIA–Michael Fassbender interpreta roqueiro de vanguarda em “Frank”

Ator Michael Fassbender durante evento em Londres. 12/05/2014.Toby Melville

SÃO PAULO (Reuters) - Descrever “Frank”, do diretor irlandês Lenny Abrahamson, como um filme sobre uma banda de rock pode levar a imaginar uma produção recheada de música e conflitos entre os instrumentistas.

Se isso existe no filme, como se pode imaginar, todo o resto é bastante imprevisível numa história que, incrivelmente, é baseada em fatos reais, que o roteiro de Jon Ronson e Peter Straughan ficcionalizam.

A história real foi vivida por Jon Ronson – interpretado na tela por Domhnall Gleeson. A estranheza vem de que a banda retratada nada tem de comum, a começar por um líder cujo rosto nunca é visto, já que ele vive coberto com uma enorme cabeça de papel machê, com olhos e cabelo pintados.

Ele é Frank (Michael Fassbender), um músico tido como genial e de vanguarda, cercado por uma trupe igualmente inusitada: o empresário Don (Scott McNairy), que tem uma fixação por manequins de vitrine; a feroz e antissocial Clara (Maggie Gyllenhaal); uma dupla francesa, Baraque (François Civil) e Nana (Carla Azar), que só se comunica na própria língua com quem quer que seja.

Se até ali viveu uma vida rotineira e banal, Jon é sacudido nas suas bases quando larga o emprego e aceita o convite de Don para substituir o tecladista da banda, que surtou. Especialmente quando os músicos se isolam numa cabana de madeira, no campo, para gravar o novo álbum.

Jon é o peixe fora d’água no grupo e Clara, Baraque e Nana nunca se privam de fazê-lo sentir-se sempre sobrando. Ele se sente naturalmente intimidado por Frank e sua cabeça. É dele que se emitem os sinais que comandam a instável rotina. Ou seja, quando Frank decide tocar e criar, é hora de entrar no clima. Quando ele entra em outras vibrações, nada mais a fazer do que esperar o tempo passar.

Em que pesem as esquisitices do grupo, o toque de realidade inserido pelo conhecimento de causa do corroteirista e as interpretações naturais do elenco ressaltam a humanidade de cada um. Caso o diretor perdesse a mão no meio de tantas excentricidades, tudo poderia se perder, ou soar falso. Não é isso o que acontece.

Usando sua cabeça de papel em mais de dois terços do filme, Michael Fassbender delineia um personagem rico em contradições, que passa da delicadeza à fúria, mas não desaba. É uma interpretação complexa, tanto mais delicada por homenagear uma pessoa real – Chris Sievey, o homem por trás do personagem-músico Frank Sidebottom, que usava realmente uma cabeça de papel e morreu em 2010, aos 54 anos.

Um clichê em que o filme não embarca é contrapor normalidade/loucura de um modo trivial. De várias maneiras, é a normalidade de um personagem que causa mais estrago e dor às vidas dos aparentes loucos de plantão.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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