ESTREIA–Bradley Cooper e Emma Stone estrelam comédia dramática “Sob o Mesmo Céu”

quarta-feira, 10 de junho de 2015 16:47 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A princípio, “Sob o Mesmo Céu” (2015) era para chamar a atenção por ser uma nova comédia romântica – embora tenha tons de dramédia – de Cameron Crowe, diretor daqueles filmes que o público prazerosamente vê e revê na televisão, como “Quase Famosos” (2000) e “Jerry Maguire: A Grande Virada” (1996), com um atrativo elenco, desde o trio Bradley Cooper-Emma Stone-Rachel McAdams até grandes nomes como Bill Murray e Alec Baldwin, tendo o Havaí como cenário.

Mas, nos Estados Unidos, o longa tem gerado burburinho há algum tempo, por outros motivos nada bons. Primeiro, foram os e-mails hackeados da então vice-presidente da Sony Pictures Entertainment Amy Pascal, que já revelavam seu descontentamento com a produção.

A agora ex-executiva do estúdio dizia que o filme não funcionava e, embora o fracasso de bilheteria possa aparentemente comprovar isso, o que não pode se contestar é que as histórias do portão de pedestres e do satélite, assim como ela apontava, realmente não funcionam.

Entretanto, na realidade, seu horrível desempenho comercial no mercado norte-americano tem origem mais nas duras críticas de ativistas locais ao “branqueamento” do elenco e até ao uso da palavra sagrada “Aloha” no nome original, que repercutiram na mídia e nas redes sociais, antes mesmo de sua estreia. Nisso há uma ponta de injustiça, que vem da precipitação dos tempos atuais.

É certo que se trata de mais um filme prioritariamente branco em um estado/arquipélago onde os nativos e descendentes compõem 60 por cento da população; e, em uma trama centrada particularmente em uma base militar norte-americana, isso era de se esperar. Mas, em comparação com as últimas produções hollywoodianas que usaram o Havaí como locação – “Os Descendentes” (2011) e “Como se Fosse a Primeira Vez” (2004), por exemplo –, a de Crowe talvez seja a que mais pague tributo à cultura genuinamente havaiana, ainda que às vezes soe como adereço após o primeiro ato ou seja colocada de forma estranha.

Outra crítica incisiva foi contra a escalação da loiríssima Emma Stone como a capitã Allison Ng. Em uma espécie de mea-culpa, Cameron disse que a intenção era mostrar uma personagem, baseada em um caso real, frustrada por sempre ter de provar seus antepassados, apesar das aparências contrárias. Sendo assim, na realidade, o erro não foi na escolha da atriz e sim no fato de o diretor não conseguir que a piada fosse entendida, mesmo com sua repetição; ou melhor, de não focar o longa em uma figura que poderia se mostrar muito mais complexa do que o protagonista.

Neste momento, você pode estar se perguntando: afinal, qual é a história do filme? Mas é justamente em seu roteiro que reside o real problema de “Sob o Mesmo Céu”. Tal qual a explosão sonora no espaço durante o clímax – sim, é um longa do Cameron Crowe e não teria como a música não fazer parte da história de alguma forma –, o script é cheio de segmentos interessantes, mas sempre apresentados de maneira incompleta.

No caso, são várias subtramas possivelmente intrigantes – a ocupação militar e comercial do céu e o nacionalismo havaiano, por exemplo –, mas superficiais, que se entrelaçam de um modo confuso.

Brian Gilcrest (Bradley Cooper) é um ex-oficial da Nasa e agente de um multimilionário da indústria aeroespacial, Carson Welch (Bill Murray, pouco aproveitado, assim como Alec Baldwin, que tem um único momento seu), que volta ao Havaí para mediar o lançamento de um satélite da companhia, negociando com os nativos e conduzindo a operação.   Continuação...

 
Bradley Cooper chega para cerimônia do Oscar em Hollywood.  22/2/2015. REUTERS/Lucas Jackson