Em “Chi-Raq”, Spike Lee usa peça da Grécia antiga para tratar de violência nos EUA

terça-feira, 1 de dezembro de 2015 18:21 BRST
 

LOS ANGELES (Reuters) - O diretor Spike Lee espera que o seu novo filme, “Chi-Raq”, uma adaptação da peça da Grécia antiga “Lisístrata”, que foca a violência armada de Chicago, ajude a fazer alguma diferença no combate ao problema.

Baseado na peça de Aristófanes, na qual a personagem principal encoraja as mulheres a fazer uma greve de sexo para parar com a Guerra do Peloponeso, o filme retrata Lisístrata tentando convencer gangues rivais a baixarem as suas armas, usando a mesma técnica.

O nome do filme é uma referência a uma gíria das ruas comparando Chicago, a terceira maior cidade dos Estados Unidos, com zonas de conflito no Oriente Médio.

O seu trailer começa com uma declaração que diz que “homicídios em Chicago, Illinois, superaram o número de mortes das forças especiais norte-americanas no Iraque”.

“Temos que desenvolver a capacidade de empatia pelas pessoas que não são como nós, que não falam como nós, que não parecem como nós. Eles são seres humanos mesmo assim”, afirmou Lee à Reuters, citando o exemplo do menino de 9 anos que recebeu vários tiros em Chicago no mês passado.

"Temos que nos importar com as vidas humanas. Devemos todos ficar muito bravos com a execução de Tyshawn Lee. Não importa se o seu pai tem ligação com gangues ou não. Ninguém de 9 anos de idade em qualquer lugar do planeta deve levar dois tiros na cabeça e cinco no corpo, executado.”

Nick Cannon, músico e apresentador de TV, e o ator Wesley Snipes interpretam os líderes de gangues Chi-raq e Cyclops respectivamente, enquanto a atriz da série “Mad Men” Teyonah Parris faz Lisístrata.

"Às vezes é bom que o público sinta raiva. O público sentiu raiva depois de “Faça a Coisa Certa”, o público sentiu raiva depois de “Rede de Intrigas”, o público sentiu raiva depois de “Apocalipse Now”, declarou Lee. “Revolta canalizada não é sempre ruim.”

(Reportagem de Rollo Ross em Los Angeles)

 
Diretor Spike Lee participa de missa em igreja de Chicago.  22/11/2015.  REUTERS/Jim Young