9 de Dezembro de 2015 / às 20:15 / 2 anos atrás

ESTREIA-Bradley Cooper se supera mesmo em drama convencional

Ator Bradley Cooper durante festa GQ Men of the Year, em West Hollywood, nos Estados Unidos. 03/12/2015 REUTERS/Kevork Djansezian

SÃO PAULO (Reuters) - Características mercuriais de chefs de alta gastronomia não são uma novidade para qualquer pessoa que tenha acesso à televisão. De programas populares a atrações de TV a cabo ou por demanda, não são poucos os espetáculos de demonização de chefs em busca do prato perfeito. E, diga-se, não só no Brasil, mas internacionalmente.

Enfim, nunca a “haute cuisine” esteve tão em voga para os meros mortais. Por isso, não é de se estranhar um filme como “Pegando Fogo”, estrelado por Bradley Cooper e dirigido por John Wells, de “Álbum de Família”, realizador também premiado em séries dramática na TV, como “West Wing”.

Há uma convergência clara sobre o que o público vê em excesso como oferta televisiva e um sabor de quase reality show no filme. Afinal, como vivem essas pessoas abrasivas no trabalho, que são tão celebradas por seu ofício? Nesta produção, vivem mal.

Enquadrado como drama, o filme mostra (pouco) a decadência e a tentativa de ascensão de um chef, reconhecido internacionalmente, Adam Jones (Cooper). Aliás, um nome curioso dado ao personagem, já que Adam, ou Adão, evoca purismo, desobediência e castigo, ao mesmo tempo que Jones, que no Brasil seria quase um Silva (por ser muito comum no mundo anglo-saxão), mostra que a excelência é comum.

Ele é primeiramente encontrado abrindo ostras em um restaurante em New Orleans. O que se entende é que, depois de dois anos em recuperação por vício em drogas, o mais celebrado chef do mundo está cuidando de frutos do mar em um lugar pavoroso.

Mas está acabando o tempo de se acalmar e perceber sua real ambição: ter um restaurante com três estrelas no Guia Michelin, a pontuação máxima da bíblia dos restaurante de alta gastronomia.

Para isso, ele vai a Londres, onde encontra o seu maitre preferido, Tony (Daniel Bruhl), que (por paixão) lhe serve a cozinha de seu exclusivo restaurante, ao mesmo tempo que contrata seus amigos (alguns são desafetos) para trabalhar com ele. Aqui, menciona-se de leve algum escândalo que aconteceu em Paris há dois anos, nunca muito bem explicitado.

Na linha dianteira da nova formação estão Helene (Sienna Miller), Michel (Omar Sy), Max (Riccardo Scamarcio) e David (Sam Keeley) e mais dois coadjuvantes sem muita expressão, que formam, como Jones diz, os “Sete Samurais”, em uma referência um tanto canhestra ao filme de Akira Kurosawa de 1954. E chama ainda a crítica gastronômica Simone (Uma Thurman) para reconquistar a glória.

Quando finalmente tem sua “equipe dos sonhos”, Jones logo vê falhas em seu perfeccionismo, apontado pela terapeuta doutora Rosshilde (Emma Thompson). “Se não estiver perfeito, jogue no lixo”. A frase que cospe em momentos de puro ressentimento próprio e com seus colaboradores (muito bem encenado por Cooper), demonstra o lado perverso de quem beira o delírio.

Absolutamente dramático, quase um novelão, o roteiro de Steven Knight (de “O Sétimo Filho”) e Michael Kalesniko (de “Deu a Louca nos Nazis”), envereda pelo despertar da essência fraterna e doce de quem, até pouco tempo, dava pontapés e desencava outros chefs, como seu arqui-inimigo Reece (Matthew Rhys). O que se percebe como clássico melodrama.

Oficialmente, Cooper se inspirou nos celebrados ingleses Gordon Ramsay (mais comercial) e Marco Pierre White, dois profissionais eternizados não apenas pelo temperamento explosivo, mas por suas contribuições à alta culinária. E Bradley Cooper se dá bem no papel, apesar do formato convencional do filme.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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