10 de Dezembro de 2015 / às 11:50 / 2 anos atrás

Ganhadores do Nobel da Paz receberão primeira medalha feita de “ouro ético”

Ganhadores do Nobel da Paz de 2015, Quarteto do Diálogo Nacional da Tunísia, mediadores responsáveis ​​por evitar que o país mergulhasse em uma guerra civil na sequência da Primavera Árabe. 09/12/2015Haakon Mosvold Larsen/NTB scanpix

NOVA YORK (Thomson Reuters Foundation) - Quando os ganhadores do Prêmio Nobel da Paz deste ano receberem sua medalha de ouro em uma cerimônia nesta quinta-feira, um grupo de mineiros colombianos também se sentirá orgulhoso com a apresentação da primeira medalha do Nobel feita de “ouro ético”.

Uma equipe de mineiros da cidade colombiana de Iquira, no sudoeste do Departamento de Huila, forneceu o ouro para o prestigioso prêmio a partir de uma mina certificada como ética.

A medalha é resultado de uma cooperação entre a Casa da Moeda norueguesa, que produz a medalha, e a entidade colombiana sem fins lucrativos Aliança para a Mineração Responsável, com a finalidade de destacar os problemas enfrentados pelos mineiros que operam em pequena escala em regiões pobres do mundo.

"Sentimo-nos muito orgulhosos de saber que o Prêmio Nobel foi feito com material que veio daqui, da nossa região, e é um material muito ético e justo", disse Jose Ignácio Pérez, um mineiro na Cooperativa Iquira, à Fundação Thomson Reuters .

A medalha será entregue em Oslo ao Quarteto do Diálogo Nacional da Tunísia, os mediadores responsáveis ​​por evitar que o país mergulhasse em uma guerra civil na sequência da Primavera Árabe.

Os 150 gramas de ouro 18 quilates da medalha de 63 milímetros vêm da Cooperativa Iquira, premiada com a certificação Fairmined por atender às exigências rigorosas sobre práticas responsáveis, proteção ambiental e desenvolvimento social. A certificação Fairmined visa reduzir o impacto nocivo da mineração ilegal em países em desenvolvimento ricos em minerais.

A produção de ouro tem sido associada a abusos nos locais de mineração, incluindo trabalho forçado e infantil, bem como o deslocamento forçado de populações e a degradação ambiental, segundo o grupo de direitos trabalhistas Verité, sediado nos Estados Unidos.

A mineração de ouro é uma fonte crucial de renda para muitas comunidades da América Latina, África e Ásia. Cerca de 90 por cento dos mineiros de ouro do mundo trabalham em minas improvisadas e de pequena escala, muitas vezes enfrentando condições difíceis.

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