ESTREIA-"As Sufragistas" resgata movimento pelo voto feminino na Inglaterra de 1912

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015 15:59 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Retratando uma das principais lutas das mulheres na Inglaterra, “As Sufragistas”, de Sarah Gavron, tira da invisibilidade figuras que não escreveram suas biografias e foram esquecidas ou difamadas pela imprensa de sua época, no caso, o início do século 20.

Misturando personagens reais, como a líder Emmeline Pankhurst (uma breve aparição de Meryl Streep), com ficcionais – que, na verdade, somam o perfil de várias militantes -, o filme roteirizado por Abi Morgan infiltra uma contagiante urgência nas manifestações, muitas violentas, que levaram à conquista do voto feminino na Inglaterra, com restrições, em 1918, e finalmente aberto a todas as mulheres, em 1928.

O ano da história é 1912, quando poucas evidências de discriminação podiam ser mais gritantes do que a impossibilidade legal das mulheres inglesas não só de votar, como de disputar a guarda dos filhos ou administrar os próprios bens. Elas não têm voz, portanto, nem em casa, nem no trabalho, muito menos no Parlamento.

Um exemplo é a lavadeira Maud Watts (Carey Mulligan), que se esfalfa em longas jornadas diárias, ganha salário menor do que os masculinos e ainda tem como suas tarefas o cuidado da casa, do marido (Ben Whishaw) e do filho pequeno, George (Adam Michael Dodd).

Fora isso, o assédio sexual no ambiente de trabalho é a regra, vitimando garotas pobres que começam a trabalhar desde a infância, caso de Maud, funcionária da lavanderia desde os 7 anos.

O contato de Maud com o movimento sufragista é acidental, num dia em que ela foi ao lado mais rico de Londres fazer uma entrega, sendo surpreendida por uma passeata de aguerridas militantes femininas que quebravam vidraças para chamar a atenção.

Maud nem imagina que este incidente está abrindo um capítulo novo em sua vida, desencadeado pelo contato com sufragistas em seu próprio trabalho, como a colega Violet (Anne-Marie Duff), bem como de outra classe social, como a química Edith Ellyn (Helena Bonham Carter) – em cuja farmácia acontecem reuniões de mobilização feminina.

Ao colocar em paralelo mulheres de histórias tão diferentes, observa-se o quanto cada uma tem a perder. Certamente, Violet e Maud vivem situação mais frágil, especialmente porque não contam, como Edith, com o apoio de um marido solidário.

Pobres e sem direitos legais, elas se arriscam a ficar sem empregos ou mesmo serem afastadas de seus filhos. Todas, sem exceção, estão expostas à violência policial, que é muito dura, e à prisão, sendo marcadas de perto por um rígido inspetor (Brendan Gleeson).   Continuação...

 
Atriz Carey Mulligan, que interpreta a lavadeira Maud Watts, durante evento em Hollywood.    14/11/2015  REUTERS/Mario Anzuoni