ESTREIA-“Kuma–A Segunda Esposa” aborda conflitos da cultura islâmica

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015 17:09 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O casamento em um vilarejo no interior da Turquia marca a própria temática da produção austríaca que abre “Kuma – A Segunda Esposa”, que inaugurou a seção Panorama do Festival de Berlim de 2012.

A alegria da população local pelo enlace da jovem Ayse (Begüm Akkaya) com Hasan (Murathan Muslu), o bonito rapaz que mora com a família na Áustria, contrasta com as expressões de alguns parentes do noivo. A razão, o espectador descobre logo depois, quando todos voltam a Viena: a moça é na realidade a

“kuma”, uma segunda mulher, como indica o subtítulo dado no Brasil, de seu pretenso sogro, Mustafa (Vedat Erincin).

Na realidade, a ideia foi da primeira esposa, Fatma (Nihal G. Koldas), que visando apenas o “bem” da sua família recrutou alguém para cuidar de suas crianças e do marido quando ela partir, já que enfrenta o tratamento de um grave câncer.

Pelo menos, este é o plano inicial dela, mas não é preciso imaginar muito para saber que o desenrolar será diferente e a rejeição inicial de parte de seus filhos à situação é um indicativo. Contudo, o cineasta estreante Umut Dag apresenta uma bem-vinda habilidade de jogar com as expectativas do público, que, mesmo manipulado, poderá ter algumas surpresas.

Filho de imigrantes curdos, nascido na Áustria, o diretor e argumentista do longa –o roteiro é de Petra Ladinigg– traz à tona os embates ocorridos dentro da comunidade islâmica, de um modo geral, transformando a família de imigrantes em alegoria de todos os agentes dessas divergências de pensamento.

O choque de gerações, com seus ideais mais retrógados ou modernos, intensifica-se quando algum dos familiares se revela mais sujeito à influência do mundo ocidental, enquanto outros se mostram ainda presos aos costumes da tradicional e afastada vila turca.

Deste conflito, surgem temas ainda tabus dentro das culturas orientais, como a violência doméstica e a homossexualidade, por exemplo, sendo jogados para “debaixo do tapete” durante as discussões entre os membros da própria família.

No entanto, o papel das mulheres, subjugadas pelos preceitos religiosos e sociais da comunidade, serve como força motriz da obra.   Continuação...