ESTREIA–Animal pré-histórico e menino das cavernas protagonizam animação “O Bom Dinossauro”

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016 17:26 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O impacto da originalidade, eficiência e comoção que “Divertida Mente” obteve entre a crítica e o público gera, consequentemente, uma enorme pressão para o próximo lançamento da Pixar, “O Bom Dinossauro”.

Assim, na hora das inevitáveis comparações, muitos notarão as diferenças de estilo nos roteiros e nas técnicas de animação de ambos, mas não o complemento temático e moral que a nova produção de Peter Sohn traz à mensagem do sucesso anterior de Pete Docter e Ronnie Del Carmen sobre o sabor agridoce da vida e a necessidade de vivenciá-la em todas as suas emoções.

A história parte de uma suposição, explícita na primeira sequência como um curioso prólogo: e se o meteoro que teria levado os dinossauros à extinção não atingisse a Terra e os gigantescos animais coabitassem no planeta junto com os primeiros homo sapiens?

Deste modo, o público é apresentado a uma família de apatossauros fazendeiros –não só esta espécie, mas outras também aparecem antropomorfizadas–, na qual Arlo é o caçula atrapalhado, incapaz de realizar as tarefas diárias para a manutenção da plantação de milho e a subsistência deles.

Quando precisa capturar a criatura que está roubando o celeiro, o jovem não consegue detê-la, o que, somado a outros trágicos acontecimentos, o separa de sua família e o faz atravessar quilômetros da bela natureza selvagem com o pequeno humano, um “menino das cavernas” que tentara perseguir antes, a quem deu o nome de Spot depois de serem obrigados a sobreviverem juntos.

Assim, a conhecida ideia de enfrentar seus medos, em que a jornada é o que leva o protagonista ao amadurecimento, guia a trama.

Não se trata, portanto, de uma dos melhores obras do famoso estúdio, especialmente no que se espera de excelência narrativa de seus trabalhos, mas nem por isto é ruim. Na realidade, é o longa da companhia que mais se aproxima do espírito e trama das clássicas animações da Disney, a quem pertence desde 2006.

É a primeira vez, por exemplo, que a Pixar trata abertamente dos temas da perda e do luto. E, por mais que as referências e semelhanças sejam evidentes aos pais e adultos em geral, que assistiram “Em Busca do Vale Encantado” (1988) – este, no caso, da Universal –, “O Rei Leão” (1994) e “Bambi” (1942), entre outros lacrimejantes inesquecíveis, a abordagem é uma novidade para esta nova geração que não viu isso em filmes mais recentes.

Aliás, além da relação entre um animal pré-histórico e uma criança humana já vista em “Era do Gelo” (2002), embora o garoto aqui esteja mais próximo do “Mogli – O Menino Lobo” (1967), e uma alusão à alucinação de “Dumbo” (1941), é da saga do jovem leão Simba, por sua vez, inspirada em “Hamlet” de Shakespeare, que o longa guarda mais elementos: há as marcas das patas e figuras vilanescas, tanto os pterodáctilos quanto os velociraptores, que se assemelham ao trio de hienas, assim como o próprio afastamento de sua família ou clã e as dúvidas sobre seu propósito no mundo.   Continuação...