ESTREIA-"Assassin’s Creed" decepciona apesar das façanhas atléticas dos personagens

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017 14:58 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Fontes de inspiração tão tentadoras quanto os quadrinhos de super-heróis, os games acabam de fornecer material para mais uma adaptação cinematográfica, "Assassin’s Creed". Com um orçamento generoso estimado em pelo menos 130 milhões de dólares, muitos efeitos especiais e um elenco recheado de astros internacionais, o filme, no entanto, patinou nas bilheterias norte-americanas, não chegando aos 50 milhões de dólares em três semanas, além das críticas, em geral, demolidoras.

E pensar que era tão promissora a retomada da parceria entre o diretor australiano Justin Kurzel e os astros Michael Fassbender e Marion Cotillard, que estiveram juntos no elogiado "Macbeth" (2015), selecionado para a competição principal em Cannes naquele ano. Além de Fassbender, que é co-produtor de "Assassin’s Creed", estão no elenco Jeremy Irons, Charlotte Rampling, Brendan Gleeson, Ariane Labed, entre outros.

De todo modo, sempre foi arriscado levar para a tela um game como esse, lançado em 2007, em que os personagens se deslocam por vários períodos históricos. No filme, alternam-se apenas dois tempos – a época atual e 1492, na Espanha da Inquisição.

Nos dias de hoje, Cal Lynch (Fassbender) é um criminoso encarando sua execução. Mas, misteriosamente, ao invés de morrer, ele é entregue à companhia Abstergo, conduzida por Alan Rikkin (Jeremy Irons) e sua filha, a cientista Sofia (Marion Cotillard) – que pertencem à Ordem dos Templários, uma das sociedades fundamentais a esta história.

Através de um sofisticado dispositivo, o Animus, torna-se possível acessar o que se chama aqui de "memórias genéticas", ou seja, lembranças acumuladas por diversas gerações. Estas memórias de Lynch, no caso, interessam aos Rikkin porque ele seria o descendente direto de Aguilar de Nerha, integrante da Irmandade dos Assassinos, grupo opositor aos Templários que, através dos séculos, disputa a posse de um precioso artefato: a Maçã do Éden, que representa a primeira desobediência humana, segundo a Bíblia, e seria a chave do controle do livre-arbítrio de toda a espécie.

Um tanto contra a vontade, Cal é submetido ao Animus, vivendo virtualmente as peripécias de Aguilar no século 15 – e aí estão as sequências visualmente mais interessantes do filme, retratando as correrias do Assassino, ao lado de parceiros como Maria (Ariane Labed), literalmente pelas paredes e telhados de palácios e igrejas da Espanha. Aguilar seria o homem responsável pelo sumiço da Maçã, depois de tê-la arrebatado a Torquemada (Javier Gutiérrez), que por sua vez a conquistara do sultão Mohamed 12 (Khalid Abdalla).

Em torno desta trama, o filme tenta colocar uma discussão sobre controle da violência – que é, na verdade, o objetivo da cientista Sofia. Mas o esforço não vai muito longe. Os personagens do filme não ultrapassam uma certa opacidade, tornando a aventura mais morna do que se poderia esperar. E os efeitos, igualmente, não são nada demais, independentemente de se assistir ao filme na versão 3D ou não. Voar pelos telhados, aliás, nem é novidade – e os guerreiros de “O Tigre e o Dragão” (2000) já o fizeram de forma mais elegante.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
Atores Michael Fassbender, Marion Cotillard e diretor Justin Kurzel durante evento do filme "Assassin's Creed" em Londres.    08/12/2016          REUTERS/Stefan Wermuth