Artista chinês dissidente Ai Weiwei leva exibição à ex-prisão de Alcatraz

quinta-feira, 25 de setembro de 2014 14:25 BRT
 

Por Deepa Seetharaman

ALCATRAZ, EUA (Reuters) - Um dos dissidentes mais famosos da China se apropriou da mais famosa ex-prisão dos Estados Unidos como uma maneira de destacar o sofrimento dos ativistas aprisionados.

A partir do dia 27 de setembro, Alcatraz, a ex-penitenciária ilhada transformada em parque nacional na baía de São Francisco, irá oferecer aos visitantes a oportunidade de ver sete instalações especialmente concebidas pelo artista e ativista Ai Weiwei.

Weiwei, que há décadas critica a política governamental chinesa relativa à liberdade de expressão e aos direitos humanos, criou as peças sem nunca ter visitado Alcatraz. Ele foi proibido de sair da China desde sua detenção de 81 dias em 2011.

A exibição, chamada de ‘@Large’ (solto), reflete a dor e o isolamento da detenção em trabalhos como o enorme "Trace" (Vestígio), que mostra retratos de 176 ativistas e presos políticos, construído inteiramente com 1,2 milhão de tijolos Lego.

“Quando as pessoas são detidas por suas crenças, você tem uma sensação de isolamento, de que está sendo esquecido pelo mundo”, disse Cheryl Haines, diretora-executiva fundadora da Fundação FOR-SITE, organizadora da exibição.

"É a maneira eloquente que Ai usa para dizer ‘Não nos esquecemos de vocês’”, afirmou Haines sobre "Trace".

Outro trabalho, "Stay Tuned" (Fique Ligado), estende-se por 12 celas, cada uma ornada com uma banqueta e alto-falantes que tocam gravações diferentes de artistas aprisionados, inclusive da banda punk feminista russa Pussy Riot.

Depois que Haines abordou Ai sobre a montagem de uma exibição em Alcatraz, o projeto inteiro foi feito em cerca de 9 meses, muito mais rápido que o prazo típico de dois a três anos.   Continuação...

 
Jornalistas observam instalação do artista chinês Ai Weiwei na antiga prisão de Alcatraz, em São Francisco, na Califórnia.  24/09/2014.  REUTERS/Beck Diefenbach