ESTREIA-Animação “Os Boxtrolls” remete a discussões sociais e filosóficas

quarta-feira, 1 de outubro de 2014 16:49 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Cinco anos após o seu belo e significativo começo com “Coraline e o Mundo Secreto” (2009) e o lançamento do sua segunda produção, o ótimo – mas um tanto relegado – “ParaNorman” (2012), a Laika já imprimiu sua marca, mesmo em pouco tempo de existência.

E o estilo do estúdio de Portland (EUA) não se restringe apenas à estampa artesanal derivada da escolha pelo stop motion frente a técnicas mais modernas de animação, mas também é resultado das temáticas abordadas, sempre mais sombrias e misteriosas do que o habitual em filmes infantis.

Esses traços reaparecem no novo trabalho da Laika, “Os Boxtrolls” (2014), mas de forma mais diluída. O longa de Graham Annable – com um extenso histórico na área de videogames – e Anthony Stacchi – co-diretor de “O Bicho Vai Pegar” (2006) – mistura stop motion com desenho à mão e computação gráfica.

E, de fato, é a animação mais comercial do estúdio, já que seu conteúdo fantástico se aproxima mais do público infantil do que nas outras empreitadas mais ameaçadoras. Por conta disso, circula apenas em cópias dubladas.

O roteiro de Irena Brignull e Adam Pava transpõe à tela parte do universo escrito por Alan Snow nas mais de 500 páginas do livro “A Gente É Monstro!” (“Here Be Monsters!”).

O espectador logo é apresentado ao trágico sumiço do bebê Trubshaw, que muda a história da cidade com ares vitorianos de Pontequeijo. Isso porque os Boxtrolls, pequenas criaturas envoltas por caixas que habitam o subterrâneo do lugarejo, são incriminados pelo sequestro da criança e perseguidos pelo terrível exterminador Arquibaldo Surrupião (voz de Ben Kingsley na versão original, infelizmente não disponível no lançamento nacional).

Ele impõe um toque de recolher à população durante a noite, momento em que os estranhos seres saem pelas ruas de paralelepípedos do local, remexendo lixos em busca de algo de interessante para suas inventivas criações.

Assim, não tarda para que o público conheça melhor os Boxtrolls, que mais levam sustos do que os provocam nos outros, além de terem um quê de Minions, com direito à língua própria e fofura quase similar. Basta acompanhar o carinho com o qual eles, especialmente Peixe, cuidam do garoto chamado Ovo.

No entanto, quando a filha do Lorde Roquefort, a jovem Winnie, descobre que um menino humano vive com os Boxtrolls, tão logo se revela os desejos por trás da investida de Surrupião: tudo o que ele quer é trocar o seu chapéu vermelho por um branco, igual ao do Lorde e, assim, sentar-se à mesa com os nobres para degustar queijo, mesmo que isso lhe faça mal.   Continuação...