Ópera de NY se prepara para protestos na estreia de obra acusada de antissemitismo

segunda-feira, 20 de outubro de 2014 10:02 BRST
 

Por Jonathan Allen

NOVA YORK (Reuters) - A Metropolitan Opera de Nova York está se preparando para sua estreia mais tumultuada em décadas nesta segunda-feira, com manifestantes prontos para contestar a peça “A Morte de Klinghoffer”, uma ópera de John Adams sobre o sequestro de um navio de cruzeiro por guerrilheiros palestinos em 1985.

A peça, que alguns consideram uma grande obra humanista e outros, como antissemita, mostra o assassinato de Leon Klinghoffer, um judeu nova-iorquino aposentado que fazia um cruzeiro com a mulher a bordo do navio Achille Lauro. Após sua morte, os sequestradores do navio jogaram o corpo de Klinghoffer para fora da embarcação, junto com sua cadeira de rodas.

Em 1991, menos de cinco anos após o sequestro, a ópera estreou em Bruxelas, recebendo críticas principalmente favoráveis e causando pouca controvérsia. Mas poucos meses depois, quando a ópera entrou no circuito de Nova York, no Brooklyn, onde Klinghoffer morava, os ânimos esquentaram.

A produção recebeu muitas críticas raivosas, incluindo uma declaração de ultraje das filhas de Klinghoffer, Lisa e Ilse, que a consideraram antissemita e tendenciosa. Esses rótulos ficaram com a ópera desde então.

Nesta segunda-feira, Rudy Giuliani, ex-prefeito de Nova York, deve juntar-se a centenas de manifestantes e a 100 cadeiras de rodas simbólicas em um protesto diante do teatro no Lincoln Center, em área nobre de Manhattan.

No mês passado, uma multidão que se manifestava contra a ópera vaiou os espectadores em trajes de gala que iam para a abertura da temporada da Metropolitan Opera, e a companhia de ópera cancelou planos de transmitir "Klinghoffer” internacionalmente.

“O problema não é que isso seja antissemitismo ao extremo”, disse Jeffrey Wiesenfeld, um curador da Universidade da Cidade de Nova York que está ajudando a organizar a manifestação. Para ele, o Met está “no maior nível da cultura americana".

"A história da República de Weimar nos mostra que quando este tipo de racismo e antissemitismo alcança esse nível de cultura, a sociedade está realmente encrencada”, disse ele, referindo-se à Alemanha pouco antes da chegada do nazismo ao poder nos anos 1930.   Continuação...