ESTREIA-Pai superprotetor e explosivo traz humor ao francês “Grandes Amigos”

quarta-feira, 22 de outubro de 2014 17:05 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Agilidade, ironia e um bom elenco marcam a estreia da dupla de diretores franceses Stéphan Archinard e François Prévôt-Leygonie com a comédia dramática “Grandes Amigos”. Nesta história, não há tempo para pausas estilísticas ou grandes silêncios, pois a narrativa corre sem se apegar a detalhes.

Exemplos não faltam. Se em uma cena um personagem decide se candidatar, na próxima está praticamente eleito. Se está indo viajar, na outra, já voltou. Enfim, tudo avança, de forma fragmentada, para chegar logo ao desfecho, que, surpreendentemente, é um tanto decepcionante, visto o temperamento explosivo do protagonista Walter Orsini (Gérard Lanvin).

Dono de um restaurante sofisticado em Paris, apesar de justo, reage de forma intempestiva sempre que confrontado. Dono de princípios e valores rígidos, ainda adolescente, chegou a abandonar o próprio pai na Itália, quando este mentiu sobre a morte de sua mãe.

Os únicos que o aturam são seus melhores amigos, o escritor Paul (Jean-Hugues Anglade) e o livreiro Jacques (Wladimir Yordanoff), além da ex-mulher Stéphanie (Zabou Breitman), com quem vive às turras por causa da filha Clémence (Ana Girardot), de 20 anos. Sufocada pela superproteção do pai, com quem vive, a moça recebe até café na cama.

O que Orsini não esperava era que sua filha se apaixonasse, e fosse correspondida, por Paul, que passa a escrever melhor nos braços da jovem. Com receio da reação paterna, os amantes (ele é casado) preferem manter segredo, descoberto por todos menos o protagonista, justamente aquele que não admite mentiras.

A história, assim, é carregada de um humor sutil, potencializado pelo trabalho dos atores centrais, com claro destaque a Lanvin (de “O Gosto dos Outros”, 2000). Mas a produção não vai muito além disso, com sua estrutura acelerada, sem grandes momentos, sejam eles técnicos ou narrativos. Um trabalho, por isso, mediano dos diretores iniciantes, lançado com dois anos de atraso no Brasil.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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