ESTREIA-Candidato mexicano ao Oscar, cinebiografia “Cantinflas” apresenta vida do comediante

quarta-feira, 22 de outubro de 2014 17:15 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Ainda que em geral se considere Charles Chaplin o comediante mais importante para a história do cinema, o século 20 revelou uma profusão de humoristas regionais, que usavam o apelo físico e a sátira para conquistar as plateias locais.

É o caso, no Brasil, de Oscarito, Grande Otelo e o tipo caipira de Mazzaropi, que, por uma questão linguística, ficaram restritos por aqui.

Diferente do que ocorreu com o mexicano Cantinflas (1911-1993) – do qual o próprio Carlitos era fã –, amado em seu país e também um sucesso em toda a América Latina e Espanha, tendo inclusive duas importantes participações em Hollywood, sendo que na primeira delas recebeu o Globo de Ouro de Melhor Ator Cômico.

São justamente os bastidores desta primeira empreitada que abrem a cinebiografia “Cantinflas – A Magia da Comédia” (2014), candidato mexicano a uma vaga no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

O longa de Sebastián del Amo começa com uma animação introduzindo o mundo hollywoodiano da década de 50 para, na sequência, apresentar a saga do produtor Michael Todd (Michael Imperioli), em 1955, para tornar realidade a adaptação do clássico de Júlio Verne, “A Volta ao Mundo em 80 Dias” (1956), um projeto megalomaníaco com a participação de astros de vários países, quase de graça.

E na lista de estrelas, que contava com Elizabeth Taylor (Bárbara Mori) e Frank Sinatra, também estava o nome de Mario Moreno, o intérprete do famoso Cantinflas (Óscar Jaenada).

A produção volta a 1931, para mostrar o jovem Mario saindo de sua pobre casa para se aventurar como lutador de boxe e toureiro, até arranjar emprego em um teatro popular e, depois, em um itinerante, onde conheceu Valentina Ivanova (Ilse Salas), uma das irmãs do espetáculo, que viria a se tornar a sua mulher.

A trama também apresenta como ele criou o personagem que o tornaria famoso, entrando, depois, na indústria cinematográfica mexicana e se transformando em um ídolo com “Aqui é que Está a Coisa” (1940) – cujo bordão “Ahí está el detalle” se tornaria um de seus marcos – e mais dezenas de filmes, especialmente entre os anos 40 e 50, o auge de sua carreira.

Porém, como o espectador já pode desconfiar, a fama sobe à sua cabeça e a confusão entre pessoa e personagem são alguns dos elementos que geram uma grave crise no seu casamento – embora tenha durado até o fim da vida de sua esposa. É neste momento de colapso matrimonial que o DNA melodramático mexicano, já conhecido do grande público com as novelas importadas para cá, aflora mais.   Continuação...