OBITUÁRIO-Bolaños, um fenômeno da televisão que surgiu "sem querer querendo"

sexta-feira, 28 de novembro de 2014 21:24 BRST
 

Por Anahí Rama

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O humorista mexicano Roberto Gómez Bolaños, também conhecido como Chespirito, não sonhava em ficar famoso. Tudo aconteceu, como ele mesmo dizia, "sem querer querendo".

No fim da década de 1960 era roteirista de um canal de televisão quando um ator faltou e ele acabou na frente das câmeras. E foi uma viagem sem volta.

Bolaños provavelmente nunca imaginou que uma vez colocados os pés no mundo do espetáculo seu destino seria divertir várias gerações de latino-americanos com personagens como "Chaves" e "Chapolin Colorado".

Chespirito morreu nesta sexta-feira aos 85 anos no balneário mexicano de Cancún, deixando milhões de admiradores órfãos da Cidade do México a São Paulo e Luanda.

Em um fenômeno completamente incomum na televisão, as comédias desbotadas e granuladas protagonizadas por Bolaños na década de 1970 sobreviveram por mais de 40 anos e continuam sendo retransmitidas na América Latina.

As histórias de "Chaves", um menino órfão que mora em uma típica vila mexicana, e "Chapolin", um anti-herói medroso disfarçado de inseto, são um fenômeno transcultural. No Brasil, foi até há pouco um dos programas de maior audiência e chegou a ser exibido em lugares como Rússia e Angola.

"Talvez o meu mérito foi conseguir, sem tentar, abordar um ambiente que existe no mundo inteiro", refletiu Bolaños sobre o sucesso de Chaves em uma entrevista à Reuters.

"Trabalhei muito neste personagem, que tem qualidade", explicou ele, "mas a resposta exata eu não sei".   Continuação...

 
O ator mexicano Roberto Gómez Bolaños lê um poema ao lado da mulher, Florinda Meza, após ser homenageado pelo Congresso em Lima, no Peru, em 2008. 04/07/2008 REUTERS/Pilar Olivares